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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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O futuro do Brasil é com Lula

Com políticas sociais e articulação nos Brics, Lula ocupa papel central na construção de um projeto pós-neoliberal para o Brasil, analisa o sociólogo Emir Sader

27.05.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio da retomada de investimentos da Petrobras no Amazonas. Manaus - AM (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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Apesar das tentativas desesperadas da família Bolsonaro, tudo fortalece o Lula nas pesquisas, para se reeleger. O candidato bolsonarista está cada vez mais fraco, a partir das trapalhadas que ele fez com o Vorcaro.

O futuro do Brasil está, cada vez mais, na dependência do desempenho do Lula como presidente do país e como dirigente político nacional e internacional. Ele tem praticamente garantido um novo mandato, com a possibilidade, como aconteceu anteriormente, de designar seu sucessor.

Lula tem clareza da prioridade das políticas sociais no combate ao neoliberalismo. Um novo mandato seu deve intensificar e diversificar as políticas sociais, que atacam o principal problema brasileiro – o das desigualdades sociais.

Essa circunstância permite que o Brasil possa refletir e formular estratégias de longo prazo para o futuro do país. Até aqui os governos petistas têm se concentrado na luta contra o neoliberalismo. Existe a consciência de que essa é a etapa atual das políticas governamentais.

Ao longo deste século, essa tem sido a tônica das políticas dos governos petistas. Essa postura defensiva tem que dar lugar a uma visão que projete o país, mais além deste primeiro quarto de século, para toda a primeira metade do século XXI e, mesmo, para o conjunto deste século.

É preciso pensar para além do antineoliberalismo, na direção do pós-neoliberalismo. Desde o fim da URSS, a correlação de forças internacional jogou as forças progressistas para a defensiva, dado que desapareceu o então chamado campo socialista e o próprio socialismo tendia a desaparecer no plano mundial.

Foi nesse marco que surgiram os Brics, o principal fenômeno, até aqui, do novo século. Uma nova aliança do sul do mundo, que congrega, pela primeira vez, a força militar da Rússia, a força econômica e tecnológica da China e a capacidade de articulação política do Brasil, ao que se unem grande quantidade de outros países.

Mas quais as características do que seria um pós-neoliberalismo? Como negação e superação do neoliberalismo, seria, antes de tudo, o fortalecimento do Estado, na contramão da ideia do Estado mínimo e da centralidade do mercado. Fortalecimento que implica, certamente, na sua democratização, centralizada na sua esfera pública.

Uma dificuldade que o governo brasileiro terá que enfrentar é a sobrevivência do capital especulativo na economia. Por várias razões, inclusive para controlar a inflação, mas também pela política do presidente atual do Banco Central, as taxas de juros do país seguem sendo uma das mais altas do mundo. Sem a superação desse problema, que pode implicar na substituição do atual presidente do BC, a economia brasileira não poderá entrar em um novo ciclo longo expansivo.

Porém, que tipo de sociedade se projeta para o desenvolvimento de todo o século? Que avanços na direção do anticapitalismo? Este é o maior desafio. A centralidade da esfera pública aponta, no limite, para uma dinâmica anticapitalista. Porque a esfera pública é a esfera dos direitos, da cidadania. Transformar todos os indivíduos em cidadãos, isto é, em sujeitos dos seus direitos, é apontar na direção de uma dinâmica anticapitalista, não apenas antineoliberal.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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