O neoliberalismo fracassou na América Latina
Dos três mais importantes países do continente, dois vão bem, com políticas antineoliberais: Brasil e México
A última década do século passado foi amplamente neoliberal. Praticamente todos os países, à exceção de Cuba, aderiram ao neoliberalismo, que aparecia como algo inevitável. Dizia-se que todo governo sério tem, antes de tudo, que colocar as finanças do Estado em dia.
Estaríamos assim condenados a priorizar o ajuste fiscal. Colocar as finanças do Estado em dia. Isto é, cortar recursos que passavam a ser considerados supérfluos e negativos.
Nessa lista estavam, claro, os gastos com educação, com saúde, com transporte público, com infraestrutura, com estradas, com obras públicas em geral. Houve governantes que suspenderam todas as obras públicas, não importando quais fossem e onde estivessem e os danos que causassem, incluído o desemprego dos trabalhadores.
O prioritário passaria a ser o que o mercado dissesse que era prioritário, isto é, o que a bolsa de valores dissesse que era prioritário. Como se o mercado substituísse o Estado. Este era quem imprimia dinheiro, portanto fonte da inflação. Estado mínimo se tornava um objetivo fundamental.
Terminar com os investimentos estatais, com sua capacidade de regulamentação da economia era combater os gastos supérfluos, era combater a inflação, tornado objetivo prioritário de qualquer política econômica responsável.
A América Latina mergulhou em um profundo processo recessivo, de aprofundamento maior das desigualdades e da exclusão social, que sempre a caracterizaram ao longo do tempo.
O continente reagiu neste século, tornando-se nas duas primeiras décadas o epicentro da luta contra o neoliberalismo. Contra a mercantilização da vida das pessoas, contra a concepção segundo a qual tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra.
Deu muito errado. Hoje, quando chegamos ao primeiro quarto deste século, não há um país da América Latina que tenha dado certo adotando políticas neoliberais. Dos três mais importantes países do continente, dois vão bem, com políticas antineoliberais: Brasil e México. E um vai muito mal com políticas neoliberais: Argentina.
Simples, mas absolutamente verdadeiro. Quais destes países promovem o crescimento econômico e têm as taxas de desemprego mais baixas de suas histórias? Qual país produz recessão e desemprego em massa? Quais desses países têm governantes com prestígio e qual tem presidente desmoralizado?
O fracasso do governo argentino é o fracasso do neoliberalismo na América Latina. O sucesso dos governos do Brasil e do México é o sucesso dos governos antineoliberais.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




