O tiro no escuro do PCdoB

Em caso de confirmação da dissidência do PCdoB da frente Pró-Lula para 2018, o PT deve imediatamente repensar estratégias e discursos para 2018 e mais; deve rever, inclusive suas formas e mecanismos de oposição ao infame governo de Temer

O tiro no escuro do PCdoB
O tiro no escuro do PCdoB (Foto: Nabor Goulart/Agencia Freelancer)
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O muito original empreendimento da candidatura presidencial de Manuela D'ávila (PCdoB) é "mão na roda" para o discurso das experimentações políticas de Ciro Gomes; revela e potencializa a ampla lógica da "renovação" que o pós-golpe nos trouxe onde acontecimentos como, por exemplo, o "bit-governo" de João Doria à frente do caótico mosaico urbano/suburbano de São Paulo é evento de proa.

Não só! A "renovação" da política nos lega, além das diarreias mentais de Bolsonaro, a censura como militância, aliás, minto... Bem mais que isso, é censura como movimento, discurso ideológico e um conjunto articulado de ações deliberadas e em serviço, por exemplo, do cancelamento de performances artísticas, de shows musicais ou ainda, de eventos eminentemente acadêmicos.

Me lembrei do velho Brizola quando dizia: "tem rabo de jacaré, couro de jacaré, cabeça de jacaré e cheiro de jacaré então... É jacaré! É claro!". Então... Não tem jeito: tem corpo de ditadura, dentição de ditadura, movimento de ditadura, odor de ditadura, logo... É ditadura; mesmo não se confessando como tal.

Pois na ditadura ou neo-ditadura o PCdoB inova e, em pleno turbilhão, vanguardisticamente lança Manu! Os tucanos adoraram a ideia e, de fato, esse movimento do tabuleiro inspira algumas possibilidades para a direita. O DEM e o PPS sentiram a vitalidade de Manuela, de alguma forma, vitaminar, a eventual candidatura do "Globo Boy" e igualmente jovem Luciano Huck. Posso estar errado mas percebi que Manuela climatizou a candidatura do "global".

Eleição por tópico! Tipo, com mulheres e jovens! Expressão objetiva do malogro do identitarismo e seus excessos tomando forma e conjuntura. Marina Silva, evidentemente, elogiou; aliás, toda a direita amou a ideia.

O grande perdedor tático e estratégico da candidatura de Manuela D'ávila é, de longe, o PT. É defecção das mais importantes e que compromete a aliança político-partidária hegemonizada pelo Partido dos Trabalhadores e seu Lula de velhas batalhas.

Em caso de confirmação da dissidência do PCdoB da frente Pró-Lula para 2018, o PT deve imediatamente repensar estratégias e discursos para 2018 e mais; deve rever, inclusive suas formas e mecanismos de oposição ao infame governo de Temer.

Por fim, a cartada do PCdoB pode ter servido para o orgulho partidário ou para o amplo leque da direita brasileira que enfim, dá algum suspiro ante ao sempre progressivo crescimento de Lula da Silva em todos os levantamentos eleitorais. Aliás, é preciso constar que por mais de um ano, Lula lidera com escancarada folga todas as intenções de voto para 2018.

Tem a música "O calibre" do Paralamas do Sucesso e que começa assim: "Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo; sem saber o calibre do perigo. Eu não sei d'aonde vem o tiro".

Pois é... "De onde vem o tiro?". Veio do PCdoB, da sua vaidade partidária, da incapacidade de uma leitura política mais ampla, integrativa e à esquerda; veio justa e precisamente daí o tiro de largada e que, por sinal, pode gerar a mais surpreendente e inesperada unificação e que a direita, neste instante, toda dispersa e fragmentada, carece urgente e estruturalmente.

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