Ódio: veneno velho pra uns, novo pra outros

Três deputadas que estavam, de certa forma, protegidas do veneno que flui na internet - Mara Gabrilli (PSDB), Clarissa Garotinho (PR) e Professora Dorinha (DEM) - passaram a ser vítimas de injúrias sexistas e acusações de que eram "comunistas"

Três deputadas que estavam, de certa forma, protegidas do veneno que flui na internet - Mara Gabrilli (PSDB), Clarissa Garotinho (PR) e Professora Dorinha (DEM) - passaram a ser vítimas de injúrias sexistas e acusações de que eram "comunistas"
Três deputadas que estavam, de certa forma, protegidas do veneno que flui na internet - Mara Gabrilli (PSDB), Clarissa Garotinho (PR) e Professora Dorinha (DEM) - passaram a ser vítimas de injúrias sexistas e acusações de que eram "comunistas" (Foto: Jean Wyllys)

Sou vítima antiga do veneno que flui na internet e que se chama ódio. Logo, já sou relativamente imune. Desenvolvi defesas psíquicas e antídotos estratégicos contra ele - e, por isso, estou aqui e sigo quase incólume. Outros deputados também já conhecem esse veneno, venha este de fontes anônimas ou de conhecidas figuras públicas, muitas delas em atividade em jornais, revistas e tevê: esses deputados e essas deputadas são principalmente os que trabalham a agenda dos direitos humanos das minorias sociais, étnicas, sexuais e religiosas e, destes, os petistas em particular.

É sempre bom ressaltar que esse ódio tem relação profunda com a ignorância motivada e manipulada por políticos e lideranças religiosas demagogos, oportunistas, hipócritas e, sobretudo, gananciosos.

Mas há muitos e muitas parlamentares que nunca experimentaram esse veneno, seja porque são desconhecidos da maioria dos internautas, seja porque pertencem a partidos políticos que abrigam as serpentes portadoras desse ódio (mais notadamente o DEM, PSDB e PSC). Porém, a votação da PEC 171 (que reduz a maioridade penal) mudou esse cenário.

Três deputadas que estavam, de certa forma, protegidas desse veneno - Mara Gabrilli (PSDB-SP), Clarissa Garotinho (PR-RJ) e Professora Dorinha (DEM-TO) - hoje vieram falar comigo do quanto estavam chocadas com os comentários odiosos, insultos e injúrias perpetrados contra elas em suas redes sociais digitais pelo fato de, contrariando a orientação de seus partidos, terem votado contra a PEC 171.

As três se referiram às injúrias sexistas e às acusações de que eram "comunistas" e "vendidas ao PT". Eu mesmo conferi o teor do veneno vomitado contra elas e fiquei constrangido com a misoginia e a violência machistas. Estavam abaladas, claro, mas também preocupadas com o impacto eleitoral, mas, ainda assim, firmes em suas posições (quer dizer, Mara Gabrilli, devido ao veneno, aparentemente vai mudar seu voto na nova votação da PEC 171 que vai ocorrer daqui a pouco, graças a um golpe de Eduardo Cunha et caterva, apoiado veladamente pela velha mídia). Nota do 247: a deputada mudou, sim, seu posicionamento e votou a favor da redução da maioridade nesta madrugada.

Embora eu seja solidário às minhas colegas, considero pedagógico que elas tenham experimentado um pouco da violência sexista perpetrada todos os dias contra a presidenta Dilma - talvez assim se deem conta de que a cultura misógina e machista não poupa mulher alguma quando contrariada, mesmo que esta mulher pertença a partidos que sustentam e reproduzem essa cultura. E também considero importante que as minhas colegas se dêem conta de que há um veneno fascista sempre disposto a destruir todos aqueles e aquelas que tomem atitudes pautadas minimamente na empatia, na noção de justiça social e na defesa das liberdades civis: veneno cultivado por muitos dos seus pares (meu pai sempre me disse que o perigo de se criar serpentes é que, mais cedo ou mais tarde, elas vão atacar quem lhes cria ou quem, destes, está próximo!)

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