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Camilo Irineu Quartarollo

Autor de nove livros, químico, professor de química, com formação parcial em teologia e filosofia.

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Onde você mora?

A privatização é uma guerra silenciosa de aumentos escorchantes de impostos como o de IPTU

Onde você mora? (Foto: Prefeitura de Piracicaba)

Nova Iorque não faz nenhuma inveja à Cracolândia paulista. Lá, cem mil pessoas em situação extrema, segundo o G1. Uma realidade crua, sem outdoor, de moscas e dejetos fétidos, de lixos pela calçada e de acampados no metrô e nos centros urbanos. 

Nova-iorquinos deambulam como animais domésticos sem domicílio, sob prédios envidraçados no assombroso mundo de Trump. As forças da imigração perseguem os Ilegais e seus filhos nas empresas, ruas e parques. Os que escapam vivos andam sem rumo pelas sarjetas, talvez da última síndrome de abstinência. Sou humano, porra! I'm human, damn it! – caia na real, você não é americano!

Neste 2026, Zohran Mamdani, socialista, toma posse como novo prefeito de Nova Iorque e chama de “ato de guerra” o sequestro de Maduro. O sequestrado será julgado por um tribunal de Nova Iorque, pois as acusações contra o refém muda conforme o humor de Trump. A narrativa mudou de tráfico de drogas para roubo das petrolíferas ianques, ou, apropriação da maior riqueza do país. É óbvio que o petróleo dá muito mais riqueza que tráfico de drogas – por quê Maduro escolheria o tráfico? Trump feriu a lei internacional ao invadir um país, cometeu sequestro e assassinato de mais de uma centena de pescadores indefesos no Caribe e apropriação de navios petroleiros.

Maduro está preso em Nova Iorque, num presídio de segurança máxima. A cidade vai ser um desafio ao novo prefeito socialista, que se confronta com Trump. Lá, segundo o jornal Brasil de Fato, a cidade tem a mesma quantidade de pessoas sem-teto comparado a todo o estado de São Paulo. Os aluguéis estão muito caros. O corte do Trump nos auxílios federais e, notadamente, nos da Saúde deixou cerca de 12 milhões de americanos sem assistência. E eles não têm SUS. Os projetos da Direita no Brasil são iguais aos dos EUA de Trump. Assim professam os governadores da Direita e o candidato Flávio, ungido pelo pai preso – um Guaidó ou González verde e amarelo, candidatos de fachada.

A privatização é uma guerra silenciosa de aumentos escorchantes de impostos como o  de IPTU, sem barulho de helicópteros e operações espetaculares. Sem que as populações percebam transformam os bens de um povo em mercadorias de grandes conglomerados econômicos, na forma que as petrolíferas americanas querem na Venezuela.

Em Piracicaba o fenômeno de Nova Iorque nos constrange, mas não chegamos ainda no fundo do poço. Os programas do governo federal nos socorrem. A Direita retrógrada vem à carga com aumento brutal de IPTU. Quem é a favor? Ninguém, exceto catorze vereadores, os quais sem pestanejar votaram alheios aos reclamos da sociedade. Estão sorridentes na Net, é só pesquisar. Em março, quando os boletos do IPTU baterem à porta, as fichas cairão – muita gente vai se mudar para lugares longes, com parentes ou pior.

Se você tem casca dura, e perder o medo, vão lhe chamar de Esquerda, mas não existe pobre de Direita mesmo. Todavia, foram os chamados esquerdistas que promoveram as mudanças sociais, julgadas impossíveis, que trouxeram os principais programas e auxílios sociais.


 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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