Brasil condena na ONU ação armada dos EUA contra a Venezuela
Embaixador afirma no Conselho de Segurança que ataques à soberania colocam em risco a paz regional e o sistema multilateral
247 - O Brasil rejeitou de forma categórica a ação armada realizada pelos Estados Unidos em território venezuelano, classificando o episódio como uma ameaça à paz regional e ao funcionamento do sistema multilateral. A posição foi apresentada durante uma sessão de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, convocada após a operação conduzida por Washington no último sábado (3).
O embaixador brasileiro Sérgio França Danese afirmou que iniciativas desse tipo extrapolam conflitos bilaterais e produzem efeitos globais. “Ataques contra a soberania de qualquer país, independentemente da orientação de seu governo, afetam toda a comunidade internacional. Este e outros casos de intervenção armada contra a soberania de um país, sua integridade territorial ou suas instituições devem ser veementemente condenados”, declarou o diplomata.
Segundo Danese, a operação norte-americana ultrapassou “uma linha inaceitável” e criou um precedente “extremamente perigoso”, ao incentivar ações que podem conduzir “inexoravelmente” a cenários de violência e desordem. O embaixador também alertou para o agravamento da crise de governança global, lembrando a existência de 61 conflitos armados ativos no mundo.
De acordo com o governo venezuelano, os Estados Unidos promoveram um ataque “em grande escala” que atingiu Caracas e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, resultando em mortes de militares e civis. Caracas classificou a ação como uma “gravíssima agressão militar” e denunciou o que chamou de “sequestro” do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Após a detenção de Maduro, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse a Presidência de forma interina. O presidente venezuelano e a primeira-dama foram levados aos Estados Unidos, onde permanecem detidos em Nova York, aguardando julgamento por acusações de “conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos”.
A reação internacional foi imediata. Diversos países, entre eles a Rússia, exigiram a libertação de Maduro e de Cilia Flores. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela tem o direito de decidir seu próprio destino sem interferência externa. Horas após a ofensiva, Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
Em mensagem dirigida “ao mundo e aos EUA”, a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, reiterou a “vocação pela paz” do país, defendeu o respeito ao princípio da “não interferência” e destacou a necessidade de trabalhar com Washington “em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura”.



