Senado brasileiro se divide sobre sequestro de Maduro em agressão militar dos Estados Unidos
Sequestro do presidente venezuelano provoca reações entre governistas e oposição e reacende debate sobre soberania, democracia e direito internacional
247 - O sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, no sábado (3), gerou forte repercussão no Senado brasileiro. As manifestações de parlamentares nas redes sociais e em declarações públicas evidenciaram uma profunda divisão entre governistas, que denunciaram violação da soberania venezuelana, e senadores da oposição, que celebraram a ação.
As informações são da Agência Senado, que registrou as reações dos parlamentares diante da agressão norte-americana. Aliados do governo brasileiro demonstraram preocupação com o precedente aberto pela intervenção militar e com os impactos para a estabilidade regional, enquanto oposicionistas avaliaram o sequestro e prisão de Maduro como um passo necessário para a “retomada da democracia na Venezuela.”
Críticas à violação da soberania
Parlamentares alinhados ao governo Lula condenaram duramente a ação conduzida pelos Estados Unidos. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que a comunidade internacional precisa agir para preservar a soberania venezuelana e evitar que situações semelhantes se repitam na América Latina.
“Um país soberano não pode ser invadido por outro país. Eu não tenho dúvida de que o foco é o controle do petróleo na região. É algo totalmente fora das normas internacionais. Um país não pode se transformar em ameaça para outro. Não podemos apenas ficar assistindo da arquibancada, porque amanhã pode acontecer algo semelhante em qualquer país da América Latina”.
O senador Humberto Costa (PT-PE) avaliou que a operação representa uma ameaça direta à paz mundial.
“Os Estados Unidos não atacaram apenas a Venezuela. Violaram o direito e toda a comunidade internacional. O multilateralismo está em risco e muita coisa está em jogo. Este tipo de ato de uma nação sobre outra nação soberana não pode ser normalizado”.
Na mesma linha, Renan Calheiros (MDB-AL) classificou a ação como injustificável.
“É uma invasão ilegal, intervencionista e inaceitável. Ela exige uma enfática condenação mundial e reações imediatas dos organismos internacionais”.
A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) alertou para o risco de um precedente perigoso, sobretudo para a América Latina, ao destacar que a operação não seguiu os parâmetros do direito internacional nem decisões do Conselho de Segurança da ONU.
“O Brasil não reconheceu a vitória de Maduro nas eleições de 2024. Somos firmes na defesa da democracia e contra regimes autoritários. Mas estejamos atentos: o que Trump fez não foi em nome dos venezuelanos nem da democracia, e sim por interesse na riqueza petrolífera do país”.
Oposição comemora e fala em “reconstrução democrática”
Em sentido oposto, senadores da oposição comemoraram o sequestro de Maduro. O líder da Oposição, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a política externa brasileira precisa ser guiada por valores como liberdade e direitos humanos.
O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) elogiou a atuação do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e associou a operação à defesa da democracia nas Américas.
Já o senador Marcos Rogério (PL-RO) expressou a expectativa de que a prisão de Maduro marque o início de uma transição política.



