Parlamentares latino-americanos rejeitam agressão dos EUA à Venezuela
Declaração global denuncia agressão militar, exige libertação de Nicolás Maduro e alerta para riscos à paz regional
247 - Parlamentares de diversos países da América Latina estão promovendo uma articulação conjunta para condenar a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e denunciar o que classificam como uma grave violação do direito internacional. A iniciativa inclui a elaboração de uma declaração parlamentar global que exige o fim imediato das ações armadas, o respeito à soberania venezuelana e a libertação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.A mobilização foi divulgada pela agência Prensa Latina e tem como base um documento intitulado “Em defesa da soberania da República Bolivariana da Venezuela, do Direito Internacional e da paz regional”, que está sendo apresentado a legisladores da América Latina, do Caribe e de outras regiões do mundo para adesão formal.No texto, os parlamentares afirmam que “condenam veementemente os bombardeios perpetrados contra a Venezuela, com consequências desastrosas para a população civil; o sequestro do Chefe de Estado Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores”. A declaração sustenta que o ataque representa uma violação direta de mecanismos internacionais obrigatórios para todos os Estados e reforça a exigência para que Washington cesse imediatamente qualquer ação armada contra o território venezuelano.O documento também faz um apelo urgente à comunidade internacional para que atue de forma coordenada. Segundo o texto, governos, organismos multilaterais e povos da América Latina e do Caribe devem “se manifestar firmemente a fim de ativar os mecanismos diplomáticos e jurídicos internacionais e defender o Direito Internacional como a única forma de preservar a paz”.Na Argentina, a deputada nacional Adriana Serquis, integrante da aliança peronista Fuerza Patria, confirmou sua adesão à iniciativa, lançada inicialmente por parlamentares da Colômbia. Ao explicar sua decisão, Serquis destacou que a declaração exige respeito aos direitos soberanos da Venezuela e denuncia “o ultraje de ter seu presidente e sua esposa detidos”.A parlamentar, que integra o bloco Fuerza Patria como membro do movimento Patria Grande da província de Río Negro, afirmou ainda que “legisladores latino-americanos estão se unindo em apoio à posição do México, Brasil e Colômbia, para pedir às Nações Unidas que tomem providências sobre o assunto”.Outro nome de destaque entre os signatários é o deputado nacional argentino Hugo Yaski, que também ocupa o cargo de secretário-geral da Central de Trabajadores de Argentina (CTA-T). Yaski reforçou o apelo para que a Organização das Nações Unidas implemente mecanismos capazes de impedir o avanço da ofensiva contra a Venezuela, relacionando o episódio às ameaças feitas por Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, contra outros países da região.
“Cuba, México, Colômbia e Nicarágua fazem parte de uma lista ainda maior de países que foram mencionados como possíveis alvos de novos ataques”, alertou Yaski. Em seguida, enfatizou: “Exigimos que os parlamentos de toda a América Latina emitam declarações rejeitando de forma inequívoca e clara essa intervenção”.
A declaração parlamentar ressalta ainda que a agressão não se limita ao território venezuelano, mas representa um risco mais amplo para o continente. Segundo o texto, o ataque “não só coloca a Venezuela em risco, como também ameaça diretamente a paz e a estabilidade de toda a América Latina e Caribe, região declarada Zona de Paz em 2014 e que rejeita o uso da força como mecanismo de imposição política”.



