Os candidatos a Vice-Presidente e o novo arranjo civilizatório do Brasil

Seja eleito quem for, eleitor, o certo é que você pode esperar muito, mas muito mesmo dos candidatos a vice-presidente nessas Chapas, e saber que eles que representam, cada um a seu modo, os segmentos mais fortes da sociedade, farão a diferença nesse eleição e, sobretudo, na Governabilidade do País

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Os candidatos a Vice-Presidente e o novo arranjo civilizatório do Brasil


Essa eleição 2018 é dos vice-presidentes da República!

Adoro política! Faço esse parêntese para começar esse texto. É um jogo de xadrez de dois tabuleiros em que os competidores têm de jogar olhando para um tabuleiro, e sacrificando alguns "bispos" no segundo tabuleiro. E como dizia o não-saudoso governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto: "A política é como nuvem"; que tu olha num segundo, vê um arranjo; abaixa a cabeça e ergue novamente, ao olhar, tudo mudou. As nuvens é a metáfora perfeita ao devir do jogo político.

Então. Jair Bolsonaro (PSL) tem hoje um pacote de quase 20 milhões de votos para começar a eleição. Se vai aumentar esse quantitativo (o que eu duvido), só o tempo – são 40 dias e um pouco de campanha – dirá. Em sua dança das cadeiras de vice-presidente, chegou a convidar Luciano Hang (aquele empresário mesquinho dono da Havan), e no esforço de atrair o Mercado para sua campanha, a seguir, chamou o dono das Lojas Riachuelo, o Flávio Rocha. Depois, o General Heleno, querido no meio militar. Mais adiante aquele Senador falastrão, o Magno Malta, muito muito querido no meio dos Evangélicos. Depois a jurista louca de jogar pedra, mas uma espécie de "deusa mitológica" do Impeachment da Dilma, a Janaina Pascoal (seria uma jogada de marketing para atrair principalmente a juventude tapada do MBL e do Vem Pra Rua). Depois cogitou o "príncipe", descendente de Dom Pedro II, o Luiz Phillippe de Orleans e Bragança (seria outra jogada de marketing: o militar e o imperador pra governar o Brasil).

Tendo sido rejeitado pelo Mercado; não conseguindo trazer a força dos Evangélicos que Malta representava; não encontrando partidos políticos fortes para aliança; vendo que o marketing somente não atenderia seus planos, conseguiu fechar com o General Mourão (PRTB). O pior tipo de militar – que deseja a volta da Ditadura ao Brasil – é o vice-presidente na chapa de Bolsonaro. Tente, Eleitor, dar significado a isso!

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Ciro Gomes (PDT), candidato que tem um "Pé no Mercado" e um "Pé nas Políticas Públicas", não conseguiu atrair grandes partidos. Todavia, fez uma jogada de mestre no apagar as da luzes das convenções: escolhe a "Musa dos Agronegócio" para sua vice, a Senadora Kátia Abreu (PDT). Com isso, Ciro arranca uns votinhos de Bolsonaro (que tem a simpatia dos latifundiários) e do Alckmin (já explico, como esse candidato também vai ganhar votos do segmento que tem o maior peso na Balança Comercial brasileira). É bom lembrar que Ciro tentou até Marina Silva (REDE) para ser sua vice: não deu! Convidou vários empresários também: nada! Tentou o PSB, o partido fiel da balança nessa campanha, tamanha é sua força nos estados e a quantidade de deputados que possui no Parlamento, mas também não aceitou ser vice de Ciro.

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Henrique Meirelles (p-MDB), a bucha de canhão que servirá para enganar o Eleitor de que o candidato de Temer não será (#SQ é) o Picolé de Chuchu do PSDB de São Paulo. Veja: o vice-presidente do Meirelles é mais forte e tem mais história que presidenciável. É o Germano Rigotto (p-MDB), ex-governador do Rio Grande do Sul, que foi deputado por vários mandatos e Líder de FHC quando este era Presidente da República. Mas como eu disse: Meirelles é apenas o estepe do Mercado – para fingir quem é o candidato do bandido do Michel Temer. É bom lembrar que o MDB é o partido no Brasil que tem mais prefeituras: 2019 prefeitos em todo o território nacional – para pedir votos de casa em casa do Eleitor.

Geraldo Alckmin (PSDB). Candidato oficial do Mercado, do Temer, e do "Centrão" (a Bancada de malditos que retira os direitos dos trabalhadores no Congresso Nacional), não consegue crescer nas pesquisas. Todavia, terá quase 50% do horário eleitoral na TV (por conta dos partidos que aceitaram coligar com ele) e também teve uma sacada de mestre: colocou a "Musa dos Fascistas" como sua vice, a Senadora Ana Amélia (PP), que traz consigo algumas características muito importantes para uma candidata a vice-presidente.

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Vamos lá? É de um grande partido com vários deputados e senadores, e também vereadores que vão pedir voto de casa em casa; ela é mulher – na tentativa de atrair o voto feminino (espero que as mulheres saibam que Amélia trai a mulher no Congresso Nacional, votando contra seus direitos); ela foi jornalista da Rede Globo no Rio Grande do Sul – e defende a Grande Mídia como poucos no Congresso, o que dará peso desse segmento; e ela é ligada aos latifundiários, o que vai tirar alguns votinhos do Bolsonaro e, talvez, da Kátia Abreu. É bom lembrar que seus discursos estimulando ódio – mas disfarçada de "mãe de família" – atraíram alguns eleitores radicais nesse País. Ou seja: com a Ana Amélia, essa é realmente a chapa que representa as elites brasileiras.

Mas de todas as candidaturas a vice-presidente, a mais curiosa dessa eleição é a de Lula (PT). Lula terá logo na largada dois candidatos a vice-presidente: Fernando Haddad (PT) e Manuela D'Ávila (PCdoB). O primeiro é formalmente o vice; a segunda, é para quando o STF (que perseguirá Lula até o fim, tentando "matar" a candidatura do ex-presidente) impugnar o candidato das políticas públicas e dos direitos sociais de um povo que espera seus empregos e oportunidades de volta.

(Parêntese dois: O PT está escaldado. Depois de ter sido surrupiado pelo Vice, Michel Temer, resolveu logo colocar dois candidatos a vice, para fazer o melhor arranjo dessa campanha.)

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Sobre o vice-presidente de Lula, desculpem!, mas já carrego uma quase certeza: será o próximo Presidente do Brasil. A força de Lula como vítima de um Poder Judiciário cruel, fará com que Lula eleja, ou o Haddad, ou a Manuela. Dia 17 de setembro é a data limite para o STF cassar Lula; e a data limite para o ex-presidente mais querido do Brasil decidir se arrisca até o final, ou se devolve a esperança à sociedade, elegendo alguém digno para devolver nossos direitos roubados pelo Temer, pelo PSDB de Aécio Neves, pelo "Centrão" de Rodrigo Maia e Ana Amélia, pois o povo não aguenta mais tanto sofrimento.

Seja eleito quem for, Eleitor, o certo é que você pode esperar muito, mas muito mesmo dos candidatos a vice-presidente nessas Chapas, e saber que eles que representam, cada um a seu modo, os segmentos mais fortes da sociedade, farão a diferença nesse eleição e, sobretudo, na Governabilidade do País.

(Parêntese três: não temos o direito de oferecer a nossos filhos e às futuras gerações, políticos cujo resultado Civilizatório seja trágico!)

Michel Temer é um maldito político brasileiro. Vice-presidente de Dilma, traiu a Presidente para governar e destruir o País. Mas uma coisa devemos a ele: nunca mais nessa República, vice-presidente será tão figurativo e tão sem importância para decidir, não apenas o pleito, todavia, os rumos do Brasil. Portanto, pense bem antes de votar, Eleitor, e escolha um bom Vice-Presidente da República!

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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