Os voos dos tucanos

Se Pimentel agiu estritamente dentro da legalidade, o mesmo não se deu com o senador Aécio Neves, que é hoje quem dá o tom da oposição em Minas. Planilhas de voos das aeronaves oficiais mostram que, durante seu governo, cerca de 200 deslocamentos tiveram como passageiros políticos, autoridades, empresários e celebridades, além de parentes do próprio chefe do Executivo, e não contaram com a presença do então governador, como prevê a legislação para o uso do transporte especial

Se Pimentel agiu estritamente dentro da legalidade, o mesmo não se deu com o senador Aécio Neves, que é hoje quem dá o tom da oposição em Minas. Planilhas de voos das aeronaves oficiais mostram que, durante seu governo, cerca de 200 deslocamentos tiveram como passageiros políticos, autoridades, empresários e celebridades, além de parentes do próprio chefe do Executivo, e não contaram com a presença do então governador, como prevê a legislação para o uso do transporte especial
Se Pimentel agiu estritamente dentro da legalidade, o mesmo não se deu com o senador Aécio Neves, que é hoje quem dá o tom da oposição em Minas. Planilhas de voos das aeronaves oficiais mostram que, durante seu governo, cerca de 200 deslocamentos tiveram como passageiros políticos, autoridades, empresários e celebridades, além de parentes do próprio chefe do Executivo, e não contaram com a presença do então governador, como prevê a legislação para o uso do transporte especial (Foto: Durval Ângelo)

Perseguidor do governador Fernando Pimentel, o deputado Sargento Rodrigues (PDT) deu um “tiro no pé” ao voltar a atacá-lo, agora, pelo uso previsto em lei de aeronave oficial do Estado. Como principal representante do setor raivoso da oposição, Rodrigues deveria saber que voos, helicópteros e aeroportos estão no rol dos temas que seu grupo político prefere ver longe do debate público. Não é para menos, pois suas principais lideranças – mesmo as pertencentes à espécie dos emplumados – têm literalmente perdido a rota quando se trata de “assuntos aéreos”.

Conforme já esclarecido por Pimentel, o uso do helicóptero oficial está previsto pelo Decreto 44.028, de 2005. Editado pelo então governador tucano Aécio Neves, ele estabelece que as aeronaves do Estado classificadas como de transporte especial, por questões de segurança, “destinam-se ao atendimento do governador do Estado, em deslocamento de qualquer natureza”.

Mas, se Pimentel agiu estritamente dentro da legalidade, o mesmo não se deu com o senador Aécio Neves, que é hoje quem dá o tom da oposição em Minas. Planilhas de voos das aeronaves oficiais mostram que, durante seu governo, cerca de 200 deslocamentos tiveram como passageiros políticos, autoridades, empresários e celebridades, além de parentes do próprio chefe do Executivo, e não contaram com a presença do então governador, como prevê a legislação para o uso do transporte especial.

Boa parte desses passageiros dificilmente estaria desempenhando atividades do serviço público estadual. Somente a filha mais velha de Aécio Neves, Gabriela Falcão, embarcou em 20 desses voos. Em um deles, em julho de 2003, a menina – então com apenas 11 anos – embarcaria para a cidade de Cláudio, onde a família do pai possui fazenda. Anos mais tarde, o local ficaria nacionalmente conhecido por receber um aeroporto construído pelo governador tucano com recursos públicos nas terras do próprio tio. Em outra viagem, em julho de 2008, Gabriela usaria uma das aeronaves para ir ao Rio de Janeiro, “terra do coração” de seu pai.

A irmã do ex-governador, a todo-poderosa Andrea Neves, é outra que figura entre os frequentadores dos voos oficiais. Em um deles, em 9 de março de 2004, ela desembarcou em Janaúba, no Norte do Estado. Já em 4 de dezembro de 2003, o passageiro para o Rio de Janeiro era o ex-executivo da Rede Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. A relação de passageiros inusitados é extensa, indo de Luciano Huck, Sandy e Júnior e o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira ao ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Sem contar que o próprio Aécio Neves, após deixar o cargo de governador, viajou pelo menos seis vezes em aeronaves oficiais sem a presença de autoridades estaduais.

Sim. Foi um “tiro no pé”. O que me lembra um conhecido ditado popular: “Quem tem telhado de vidro não atira pedra no do vizinho”. Não é mesmo, sargento?

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