Pesquisa mostra que preparar refeições “do zero” melhora alimentação infantil

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Pesquisa divulgada em dezembro pelo Nupens/USP (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo) mostrou que quando os pais sabem cozinhar, e têm disponibilidade para isso, seus filhos tendem a comer melhor.

É o que os defensores do ato de cozinhar vêm falando há muito tempo: preparar suas próprias refeições é a chave de uma alimentação saudável.

A pesquisadora do Nupens Carla Martins partiu da seguinte pergunta “O domínio de habilidades culinárias dos pais pode impactar na qualidade da alimentação das crianças?” para desenvolver sua pesquisa, que resultou no artigo “Healthy”, “Usual” and “Convenience” cooking practices patterns: how do they influence children’s food consumption? (“Padrões culinários saudável, convencional e conveniente: como influenciam o consumo alimentar das crianças?”, em tradução livre). O trabalho teve apoio do CNPq e foi publicado na revista científica britânica Appetite.

A pesquisa, assinada em conjunto com outras seis pesquisadoras, foi feita antes da pandemia.

O estudo

Segundo o Nupens, “os dados analisados foram obtidos com estudantes do 1º ao 4º ano de nove escolas privadas da Grande São Paulo e suas famílias”. 

Os adultos foram divididos em três grupos, de acordo com as técnicas que dominavam e a segurança na cozinha, entre outras informações. Basicamente, os grupos foram classificados da seguinte forma: 

Cozinha saudável: segurança para cozinhar uma grande variedade de refeições utilizando alimentos in natura ou minimamente processados, além do domínio de técnicas que dispensam a adição de gordura.Cozinha convencional: planejamento semanal de compras de alimentos, segurança na preparação de refeições diárias e domínio de diversas técnicas culinárias. Cozinha conveniente: finalização de refeições prontas e uso de ultraprocessados (como adição de temperos prontos ou aquecimento de alimentos já preparados)

“O resultado da análise mostrou que filhos de pessoas pertencentes ao padrão de cozinha saudável consomem menos ultraprocessados, enquanto a relação oposta foi registrada para o padrão de cozinha conveniente.”

“A pesquisa aponta, no entanto, que o ato de cozinhar em casa não é suficiente para reduzir o consumo de ultraprocessados entre crianças, o que seria mais garantido quando adultos mantêm o hábito de cozinhar ‘do zero’, levando em conta cada ingrediente adicionado no preparo”.

Cozinha x ultraprocessados

A notícia ruim é que a pesquisa mostra que cerca de um terço das calorias consumidas pelas crianças é composta de produtos ultraprocessados.

Mas nem tudo está perdido, pois o básico de nossa alimentação é a comida in natura.

“Comparado a países como Estados Unidos ou Reino Unido, o Brasil ainda tem sua alimentação baseada em ingredientes in natura ou minimamente processados”, diz Carla”.

Mas ela chama a atenção para o fato de que nas últimas décadas aumentaram a compra e o consumo de ultraprocessados.

“Quando incorporados nas refeições das populações, os ultraprocessados potencializam a transferência de tarefas da cozinha doméstica para a indústria alimentícia”, diz ela. “Com isso, acabam fomentando um movimento de ‘homogeneização’ das dietas das populações, que ajuda a criar uma ‘cultura alimentar globalizada’.”

Um exemplo disso é a incorporação de temperos prontos, que “deixam os pratos com sabor próximo, ainda que sejam preparados em regiões diferentes do país.

Cozinhar “do zero”

A pesquisadora reconhece, no entanto, que, para preparar as refeições “do zero”, é necessário ter uma série de condições que tornem a prática possível. A começar pela acessibilidade física e financeira: no ambiente alimentar, as opções in natura ou minimamente processadas devem ser as escolhas mais fáceis.

“E, no cotidiano, é necessário cozinhar!”, incentiva.  “Quanto mais se cozinha ‘do zero’, mais habilidades culinárias são desenvolvidas e mais fácil fica a prática culinária, o que reduz a dependência de ultraprocessados.”

Ou seja: já para a cozinha!

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