Por que Vorcaro está numa Sala de Estado Maior?
Não tem patente militar, nem status civil para isso
Sem nunca ter tido qualquer posto de relevância na hierarquia militar, muito menos ser presidente ou ex-presidente da República, Daniel Vorcaro está alojado na mesma Sala de Estado Maior da Polícia Federal onde ficou Jair Bolsonaro, desde que deixou a penitenciária de segurança máxima, enquanto negocia sua delação premiada.
Trata-se de um privilégio que não encontra respaldo nem na legislação nem na tradição. Isso o torna o primeiro cidadão brasileiro a gozar desse status sem explicação clara.
Fazendo jus a essa situação inédita, ele se comporta, segundo pessoas com acesso às negociações, como “rei da cocada preta”. Resiste a assumir o papel de delator e de criminoso — algo inerente à delação —, mas não para por aí.
Vorcaro também exige permanecer em liberdade após delatar, o que não é compatível com sua posição, já que é apontado como chefe da quadrilha que teria lesado clientes do Banco Master. Essa acusação é feita pela Polícia Federal e já se tornou pública após a divulgação de diálogos extraídos de seu celular — o primeiro aparelho periciado, sendo que ainda faltam outros oito —, embora ele, hipoteticamente, ainda goze da presunção de inocência.
Além disso, ele não demonstra disposição para abrir mão de seus bens a fim de cobrir o prejuízo estimado em mais de R$ 50 bilhões. Tampouco quer falar sobre suas relações com os ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Nunes Marques.
Seus advogados enfrentam dificuldades nas conversas diárias. Esforçam-se ao máximo para alertá-lo de que, apesar de estar numa Sala de Estado Maior, sua posição não é tão sólida quanto imagina.
Também o advertem de que, caso não aceite as condições impostas, sua delação premiada pode simplesmente fracassar.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



