Auditoria no BRB responsabiliza 30 dirigentes por compra de carteiras do Banco Master
Auditoria aponta prejuízo de R$ 12,2 bilhões e possível crime envolvendo dirigentes do BRB na compra de carteiras fraudulentas do Banco Master
247 - O Banco BRB decidiu afastar dirigentes envolvidos na compra de carteiras do Banco Master após uma auditoria apontar fraude e responsabilizar 30 executivos pela operação, que resultou em um prejuízo de R$ 12,2 bilhões. O caso também indica possível responsabilidade criminal de parte dos envolvidos A investigação foi conduzida pela consultoria Kroll e pelo escritório Machado Meyer Advogados, contratados pela própria instituição financeira estatal de Brasília. As informações são do jornal O Globo.
Auditoria detalha prejuízo e irregularidades
O relatório concluiu que a aquisição de carteiras do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, causou um impacto bilionário nas contas do BRB. Entre os 30 dirigentes apontados, ao menos 10 podem responder criminalmente, incluindo o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Finanças e Controladoria, Dario Oswaldo Garcia Júnior.
Os demais envolvidos teriam responsabilidade administrativa, especialmente por participação no grupo que avaliou a compra e aprovou as operações sem o devido aval do Conselho de Administração.
Dirigentes perdem cargos e salários
Com a decisão do banco, os funcionários de carreira que ocupavam cargos de direção ou funções comissionadas retornarão às suas funções de origem. A mudança implica forte redução salarial, com remunerações que podem cair de cerca de R$ 30 mil para aproximadamente R$ 4 mil. Parte dos executivos já havia sido desligada ao longo dos últimos meses, principalmente entre antigos diretores e alguns superintendentes.
E-mails indicam tentativa de driblar controle
A auditoria identificou e-mails que mostram insistência na realização das operações, além de tentativas de contornar mecanismos de governança. Em algumas mensagens, superintendentes sugeriram reduzir os valores das transações para mantê-los abaixo de R$ 750 milhões, limite que exigiria aprovação do Conselho de Administração. Segundo o relatório, essa estratégia permitiu a condução das negociações sem a devida supervisão institucional.
Operações ampliaram influência de grupo privado
Uma das negociações envolveu a compra de ações do próprio BRB por aliados de Daniel Vorcaro. Com isso, fundos ligados ao empresário e à gestora Reag passaram a deter 23,5% das ações do banco, tornando-se o segundo maior acionista, atrás apenas do governo do Distrito Federal.


