DF muda plano de socorro ao BRB e busca apoio do governo federal
Governadora altera plano, preserva área ambiental e pede ajuda ao governo Lula diante de rombo bilionário; BC não descarta possibilidade de liquidação
247 - A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), decidiu alterar o plano de socorro ao Banco de Brasília (BRB), retirando uma área de preservação ambiental das garantias e buscando apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante de um rombo bilionário na instituição. A medida ocorre em meio ao agravamento da crise financeira do banco estatal e ao risco de intervenção do Banco Central.
Nesta semana, o BRB adiou pela segunda vez a divulgação do balanço de 2025, descumprindo prazos legais e ampliando a pressão sobre sua situação financeira. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.
Área ambiental é retirada do plano
O governo do Distrito Federal havia listado nove imóveis como garantia para estruturar um fundo imobiliário e levantar recursos para cobrir perdas associadas ao Banco Master. Entre eles estava a “Gleba A”, avaliada em cerca de R$ 2,3 bilhões, localizada na região da Serrinha do Paranoá, considerada ambientalmente sensível.
Após questionamentos judiciais, que chegaram a bloquear o uso da área, o governo optou por preservar a parte ambiental do terreno. O restante do imóvel segue no plano de socorro, mas com a área ecológica separada.
Em nota, o governo distrital afirmou que a decisão visa proteger o meio ambiente. “A decisão assegura a preservação ambiental da região, considerada sensível e de grande relevância ecológica. A governadora também determinou ao Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e à Secretaria de Meio Ambiente a adoção das providências para a criação do Parque da Serrinha, garantindo a destinação definitiva da área para conservação e uso sustentável”, informou a assessoria.
Mudança na equipe econômica
Em meio à crise, Celina Leão também promoveu mudanças na equipe econômica. O secretário de Economia, Daniel de Carvalho, foi substituído pelo economista Valdivino José de Oliveira, que já ocupou a função em gestões anteriores no DF e atualmente atua na Secretaria de Fazenda de Goiânia.
Pedido de apoio ao governo federal
A governadora buscou apoio do governo federal durante conversa com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Na ocasião, manifestou interesse em envolver a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil no plano de socorro ao BRB. A proposta inclui a compra de ativos da instituição e a participação em uma operação de crédito com apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como forma de recompor as perdas.
Crise pode ultrapassar bilhões
A crise do BRB se intensificou após o impacto financeiro ligado ao Banco Master. O valor exato do rombo ainda não foi divulgado, mas estimativas apontam que pode superar R$ 8 bilhões.
O Banco Central acompanha o caso e não descarta medidas mais duras, incluindo a possibilidade de liquidação da instituição. Enquanto isso, integrantes do governo federal indicam que a responsabilidade pela crise deve ser tratada pelo próprio governo do Distrito Federal, já que decisões anteriores contribuíram para o atual cenário.


