Presidente do BRB diz que banco será capitalizado e atribui atraso do balanço à auditoria sobre ativos do Banco Master
Nelson Antônio de Souza afirma que instituição aguarda revisão final de auditoria forense e detalha plano de reforço financeiro
247 – O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou que o banco será capitalizado e que o atraso na divulgação do balanço de 2025 decorre da conclusão de uma auditoria forense sobre a compra de ativos problemáticos do Banco Master. Em entrevista ao Metrópoles, ele disse que o documento ainda depende de análise complementar da auditoria externa antes da publicação das demonstrações financeiras.
Segundo a reportagem original, o BRB não apresentou o balanço referente ao exercício de 2025 na terça-feira, 31 de março, porque aguarda o resultado final da apuração conduzida pelo escritório Machado Meyer, sob supervisão da Kroll. De acordo com Nelson, o material seria entregue na própria data, mas ainda precisaria passar por um procedimento adicional de revisão externa, conhecido como shadow, a cargo da Grant Thornton.
O presidente do banco explicou que o escopo da investigação foi ampliado ao longo do processo, o que exigiu mais tempo para a conclusão dos trabalhos e, por consequência, adiou a apresentação do balanço. Em declaração ao Metrópoles, ele afirmou: “Nós aumentamos o escopo da auditoria forense Machado Meyer e Kroll por solicitação da Grant Thornton, que faz o acompanhamento externo da investigação. Tendo em vista esse escopo ampliado, o relatório final ficou também para 31 de março, demandando mais tempo para análise da auditoria externa. Não apresentamos o balanço porque isso pode resultar em alteração no balanço do BRB”.
A fala de Nelson indica que a administração do banco prefere aguardar o encerramento completo das verificações antes de consolidar os números de 2025. O ponto central é mensurar com precisão o prejuízo efetivo relacionado à aquisição dos chamados ativos podres do Banco Master, operação que passou a ser alvo de escrutínio institucional.
De acordo com o presidente do BRB, os resultados da auditoria serão encaminhados a uma ampla lista de órgãos de controle e investigação. Entre eles estão a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal, o Banco Central, a Procuradoria-Geral da República, a Comissão de Valores Mobiliários, o Tribunal de Contas do Distrito Federal e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. A medida indica a gravidade do tema e o esforço do banco para dar respaldo institucional às conclusões da apuração.
Plano de capitalização do BRB
Apesar da pressão provocada pelo caso e do adiamento do balanço, Nelson sustentou que o banco segue trabalhando para recompor sua estrutura financeira. Segundo ele, o BRB continua mobilizado para executar um plano de capitalização que foi apresentado ao Banco Central e deverá ser implementado ao longo dos próximos meses.
Entre as frentes previstas está o empréstimo de R$ 4 bilhões solicitado ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Além disso, o plano inclui um segundo empréstimo, também de R$ 4 bilhões, a ser estruturado com um sindicato de bancos. A estratégia contempla ainda outras alternativas, como a criação de um fundo de investimento imobiliário com terrenos públicos, a venda de ações de estatais, a alienação de participações em subsidiárias do BRB e a venda de ativos do Banco Master.
O conjunto dessas medidas mostra que a direção do banco aposta em diferentes fontes de liquidez e reforço patrimonial para atravessar o momento de instabilidade. Ao detalhar a estratégia, Nelson buscou transmitir a mensagem de que a instituição possui instrumentos para enfrentar a crise e restaurar suas condições econômico-financeiras.
O prazo para a conclusão desse plano é de 180 dias, contados a partir da apresentação ao Banco Central. Segundo a reportagem, esse período se encerra em 5 de agosto de 2026. Até lá, o BRB precisará demonstrar capacidade de executar as medidas anunciadas e de recompor a confiança do mercado e dos órgãos reguladores.
Disputa judicial amplia pressão sobre o banco
A situação do BRB também se cruza com uma disputa jurídica e política em torno da Lei Distrital nº 7.845/2026. A norma autoriza o acionista controlador do banco, o Governo do Distrito Federal, a adotar uma série de providências para restabelecer as condições econômico-financeiras da instituição. No entanto, a legislação foi contestada na Justiça por partidos de oposição.
Na avaliação de Nelson Antônio de Souza, esse ambiente de contestação dificulta o processo de recuperação do banco. Em sua entrevista, ele pediu que o debate sobre o futuro do BRB não seja contaminado por disputas político-partidárias. “É importante que o povo de Brasília e região consiga tirar de dentro desse escopo esse debate político porque não ajuda o BRB, banco que é muito importante”, declarou.
A declaração expõe a preocupação da direção com o impacto da insegurança jurídica sobre a imagem e a capacidade de reação da instituição. Em momentos de fragilidade financeira, disputas judiciais e ruído político podem ampliar a desconfiança e dificultar a implementação de soluções de mercado ou de apoio institucional.
Auditoria e balanço se tornam pontos centrais
O caso mostra que a divulgação do balanço de 2025 deixou de ser um procedimento meramente contábil e passou a ocupar posição central na crise enfrentada pelo banco. O adiamento, segundo o próprio presidente do BRB, não decorre apenas de uma escolha administrativa, mas da necessidade de fechar com precisão a extensão das perdas ligadas aos ativos adquiridos do Banco Master.
Nesse contexto, a auditoria forense se tornou peça-chave. Sua conclusão poderá redefinir números, orientar decisões regulatórias e oferecer base para eventuais providências judiciais e administrativas. Ao mesmo tempo, o desfecho desse processo também terá peso político, já que o banco é controlado pelo Governo do Distrito Federal e ocupa posição estratégica na economia regional.
Ao garantir que o BRB será capitalizado, Nelson tenta conter o desgaste e reafirmar a viabilidade da instituição. Mas a efetividade dessa promessa dependerá da robustez do plano apresentado, da conclusão transparente da auditoria e da capacidade do banco de atravessar, sem novos sobressaltos, o período até agosto de 2026.


