Ibaneis nega vínculo financeiro com Daniel Vorcaro e diz não temer eventual delação
Governador do Distrito Federal afirma que nunca tratou de negócios do Banco Master com o banqueiro e diz que não há qualquer operação que o comprometa
247 – O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que não teme uma possível delação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por sustentar que não mantém qualquer vínculo financeiro com o empresário. Em entrevista concedida ao Metrópoles nesta sexta-feira (27), Ibaneis declarou que não existe fato que possa comprometê-lo em eventual colaboração premiada do banqueiro, hoje preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Segundo a reportagem do Metrópoles, Vorcaro negocia uma colaboração enquanto o Banco Master está no centro de uma grave crise financeira e institucional, marcada por prejuízos bilionários e pela intervenção das autoridades reguladoras. Nesse contexto, Ibaneis procurou se afastar de qualquer suspeita relacionada ao banqueiro e às operações envolvendo o banco.
Ao comentar a possibilidade de Vorcaro firmar delação, o governador foi enfático ao afirmar que não vê risco pessoal. “Delação precisa ser comprovada. Então, eu acredito que ele talvez ele consiga falar alguma coisa e comprovar alguma coisa, mas não em relação a mim. Ele não tem o que dizer de mim. Eu nunca sentei numa mesa com ele para tratar do negócio do banco”, declarou.
A fala foi dada nas últimas horas de Ibaneis como governador do DF. Após sete anos e três meses à frente do Palácio do Buriti, ele deixará o cargo neste sábado (28) para disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro. A entrevista, portanto, ocorre em um momento politicamente sensível, em que o emedebista tenta encerrar o mandato sob pressão provocada pela crise do BRB e pela repercussão do caso Banco Master.
Ibaneis também negou que tenha tratado com Vorcaro sobre qualquer tipo de aporte, promessa de campanha ou intermediação financeira. “Nunca sentei numa mesa com ele para tratar de qualquer recurso financeiro, nem mesmo promessa para campanha, que é natural que se trate disso. Mas não existiu nenhum tipo de relacionamento financeiro entre nós. Se alguém fez algum relacionamento financeiro com ele em torno da compra do Master pelo BRB, não me comunicou também”, afirmou.
A declaração busca responder à crescente pressão em torno do BRB, que mergulhou em sua pior crise após a compra de carteiras fraudadas do Banco Master, operação que provocou prejuízo bilionário à instituição. Paralelamente, o banco tentou adquirir 58% do capital do Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central. Em seguida, a autoridade monetária liquidou a instituição ligada a Vorcaro.
A crise ganhou ainda mais peso político porque o BRB é um banco público vinculado ao governo do Distrito Federal, o que ampliou o escrutínio sobre decisões estratégicas tomadas durante a gestão Ibaneis. Nesse cenário, a fala do governador procura estabelecer uma linha clara entre sua atuação política e os desdobramentos das relações empresariais e financeiras que envolvem Vorcaro.
Na entrevista, Ibaneis afirmou ainda ter buscado verificar se haveria qualquer conexão indireta entre o banqueiro e seu escritório de advocacia. Segundo ele, consultou Caio Barros, seu filho e responsável pelo escritório fundado por ele, para saber se havia entrado algum recurso oriundo de operação relacionada a Vorcaro. “E, graças a Deus, nós não temos nada”, disse.
Com a saída do GDF, Ibaneis pretende reativar sua carteira da OAB e voltar à atividade profissional. O retorno ao escritório, no entanto, também ocorre em meio a questionamentos públicos, já que o Escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria foi citado em relatórios do Coaf encaminhados à CPMI do INSS. A referência decorre da venda de honorários de precatórios para fundos administrados pela Reag, instituição que também foi liquidada pelo Banco Central.
Sobre esse ponto, a banca sustentou, de acordo com a reportagem, que “trata-se de negócio jurídico regular, lícito e reiteradamente praticado no mercado”. A manifestação tenta enquadrar a operação como prática comum do setor, sem irregularidade jurídica.
As declarações de Ibaneis, portanto, buscam conter danos políticos em um momento de transição de poder e de preparação para a disputa eleitoral. Ao negar relação financeira com Daniel Vorcaro e rejeitar qualquer participação nas tratativas envolvendo o Banco Master, o governador tenta se blindar diante de uma crise que já produziu forte abalo institucional no BRB e abriu uma nova frente de desgaste no Distrito Federal.


