Ibaneis diz não tinha capacidade para avaliar compra do Master pelo BRB: “não sei nem passar Pix”
Governador afirma falta de conhecimento técnico e nega envolvimento direto na operação que acabou rejeitada pelo Banco Central
247 - O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou nesta sexta-feira (27) que não teve participação direta na decisão de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) e alegou não possuir conhecimento técnico para avaliar a operação. Segundo ele, sua atuação limitou-se a confiar nas informações apresentadas pela diretoria do banco estatal à época.
Em entrevista ao portal Metrópoles, Ibaneis declarou que só tomou conhecimento da negociação após ser informado por interlocutores do BRB. Ele também disse que não tinha familiaridade com os envolvidos no negócio. “Nunca tinha ouvido falar o nome de Daniel Vorcaro e Banco Master na história”, afirmou.
O governador relatou ter conhecido Vorcaro em um encontro informal em Brasília, sem que o tema da operação fosse discutido. “Eu passei a ter esse conhecimento a partir da apresentação que foi feita. Como eu disse, eu fui convidado por ele para um almoço na casa dele. Eu achei natural. Eu recebo todos os empresários. Na ocasião, ninguém tratou sobre o banco. Ficamos falando sobre avião, ficamos falando sobre vinhos”, disse.
A aquisição de 58% do Banco Master pelo BRB acabou rejeitada pelo Banco Central, que determinou a liquidação da instituição financeira em novembro de 2025. O caso passou a ser alvo de investigações após suspeitas envolvendo carteiras de crédito consideradas irregulares.
Ibaneis afirmou que foi convencido pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sobre os benefícios da operação. “Eu comecei a tomar conhecimento de que existiria essa operação em andamento relacionada à compra do Master pelo BRB. Quis entender como era essa operação e fui convencido pelo Paulo Henrique de que seria uma operação que faria o BRB se transformar no sexto maior banco do Brasil, sem necessidade de aporte financeiro do Governo do Distrito Federal”, declarou.
O governador também destacou sua limitação técnica para avaliar o negócio. “As contas minhas quem acompanha são meu filho e minha ex-esposa. Eu sou meio analógico ainda. Eu não tinha capacidade técnica de avaliar se aquela operação era ou não correta. Eu tinha que acreditar no meu principal interlocutor naquele momento, que era o Paulo Henrique”, afirmou, acrescentando: “Não sei nem passar Pix”.
Questionado sobre a compra de cerca de R$ 16 bilhões em carteiras de crédito consideradas suspeitas, Ibaneis negou conhecimento prévio. “Eu só vim a descobrir realmente o que é que estava sendo feito, mesmo sem ter notícia dos valores, quando começou a dar problema”, disse.
Segundo ele, ao perceber o agravamento da situação, tentou intervir. “Eu até fiz uma ligação para o Paulo. Estava terminando um curso em Harvard e eu liguei para ele e falei: você tem que abandonar isso aí e procurar resolver o problema, senão isso aqui vai se avolumar a um ponto que não vai ter mais retorno”, relatou.
Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do BRB em 18 de novembro de 2025, por decisão judicial no âmbito da Operação Compliance Zero. Na mesma fase da investigação, Daniel Vorcaro foi preso.
Em depoimento à Polícia Federal, em dezembro de 2025, Costa afirmou que o banco atuou para substituir ativos considerados irregulares. “Nós conseguimos ativos de qualidade, aplicamos deságios relevantes de maneira a proteger o BRB”, declarou.
Ibaneis, por sua vez, reiterou confiança no ex-presidente do banco. “Continuo confiando no Paulo. Ele tem como explicar tudo que ele fez lá dentro”, afirmou.


