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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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Por uma nova política de comunicações

"O escândalo no Ministério de Comunicações é uma boa circunstância para mudar a política de comunicações do governo", diz Emir Sader

Juscelino Filho (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O escândalo no Ministério de Comunicações – que, se confirmado, deveria levar a uma mudança de ministro – é uma boa circunstância para mudar a política de comunicações do governo.

Lula faz um bom governo, mas o governo perde a disputa – estratégica – na política de comunicações. Como um de seus resultados, apesar do excelente governo, nas pesquisas Lula tem uma vantagem relativamente pequena em relação aos bolsonaristas.

Bolsonaro está derrotado, mas o bolsonarismo sobrevive a essa derrota. Uma situação que não é fácil de explicar. O prestígio do Lula se deve ao bom governo que ele dirige. Nunca houve tantas políticas sociais no Brasil. Nunca as desigualdades sociais diminuíram em tão pouco tempo. Com diminuição do desemprego, com elevação dos salários.

Lula mantém um grande prestígio nacional e internacional. O Brasil recuperou sua imagem. A situação da massa da população melhorou. 

Difícil entender como o bolsonarismo mantém um relativamente alto apoio. Não estão no governo, não têm políticas concretas para oferecer ao povo. Os processos contra Bolsonaro se renovam, sem diminuir muito seu apoio.

Evidentemente a política de comunicações do governo não tem funcionado. Não há uma massa consistente de apoio ao governo, que não realiza manifestações populares com grande participação.

São todos aspectos da debilidade da política de comunicações do governo. A situação política, econômica e social do país mudou. Não há reflexos significativos no plano cultural. 

Mas, principalmente, no plano dos consensos gerais, não se nota a vigência de novos valores. Não se pode dizer que o país vive em condições gerais muito distintas das que teve recentemente.

Uma nova política de comunicações significaria propor e colocar em prática uma visão do mundo e da sociedade, do país, fundada na democracia, na pluralidade, na diversidade, na transparência, no respeito mútuo.

Não tivemos, até aqui, uma política de comunicações com essas características. Em lugar de ser um ministério fundamental, com ministros que expressam esses valores, tivemos um ministério inexpressivo.

Até que se desembocou na denúncia de corrupção no próprio ministério que deveria ter representado os valores da transparência e da democracia. Excelente oportunidade para que demos uma virada radical em um tema transcendental para a construção da democracia no Brasil. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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