Pornografia política

Quem, afinal, teria a capacidade de trazer para a seara eminentemente política o tema tão específico e delicado das sexualidades individuais? 

Há trágica e estranha combinação em curso, talvez para provocar puritanos de plantão, esses seres fantásticos, sempre ciosos por uma grita moralista e tão "fundamentais" para a nossa condução espiritual e ética; talvez para reacender nosso atraso civilizacional crônico; talvez para a consolidação da nossa tragédia humana de eternos colonizados culturais e políticos; talvez, enfim, para se firmar como, inegavelmente, a melhor e mais eficaz estratégia política.

É pornografia política? Se não for... É algo muito similar! Quem, afinal, teria a capacidade de trazer para a seara eminentemente política o tema tão específico e delicado das sexualidades individuais? Não... Política não é tudo, ou melhor dizendo, até pode ser, depende do método, da forma como se abordam determinadas questões; como se insere este ou aquele tema e com seus devidos e respectivos cuidados.

Por breve momento, me lembrei dos ataques sofridos por Dilma Rousseff, ainda em sua primeira campanha presidencial; quem não se recorda do esforço narrativo perpetrado pela direitona brasileira, visando a vulgata, o deboche e o assédio da mulher-candidata? Eu não esqueci!

Retomo, mais uma vez, a dramática lembrança do adesivo pensado pelos "machos" onde o sexo da presidente era posto na entrada dos tanques dos automóveis da muito "digna" militância da direita brasileira. Outro caso emblemático são os ataques sistemáticos sofridos pelo deputado federal Jean Willys (PSOL). Todo mundo sabe da orientação sexual de Willys e, o pior, de sua capacidade de argumentação e agilidade intelectual. Jean... É enorme problema para a direita porque Jean pensa, sabe analisar e argumentar com propriedade, fundamento e coerência.

Nesse universo de triste memória e lembrança, foram as investidas de gênero do senador Cassio Cunha Lima (PSDB) contra as senadoras Vanessa Grazziottin (PCdoB) e Gleisi Hoffmann (PT) no transcurso dos debates do golpe-impeachment da presidente Dilma Rousseff.

E o primeiro formato do ministério do usurpador Temer composto por uma cambada de machos? Um plantel conservador, branco, machista, proprietário e fundamentalmente, do sul/sudeste do país? Se recordam disso? Uma casualidade? No vernáculo político inaugurado por Temer e sua trupe são insuperáveis os arremates do indefectível senador Romero Jucá (PMDB) quando solta "...essa porra" ou a tal da "suruba".

Finalmente, o assassinato da transexual Dandara, 42 anos, no 15 de fevereiro, na periferia de Fortaleza, por cinco "homens" é barbaridade que envergonha a todos nós e que, inclusive, fora filmada e lançada nas redes sociais é a pedra fundamental que explica a estranha relação que temos com o sexo, sobretudo, se apresentar alguma diferença da crença ou dogma sexual e que estamos acostumados.

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