Primeiro debate Lula vs. Flávio Bolsonaro
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Lula: Candidato, quem foi seu principal mentor na vida pública depois de seu pai?
Flávio: Fabrício Queiróz.
Lula: Queiróz é aquele que foi acusado de chefiar o esquema de rachadinha em seu gabinete, sendo que parte do dinheiro foi desviado para Adriano da Nóbrega?
Flávio: O caso foi arquivado por irregularidades na investigação.
Lula: Quem foram os melhores funcionários de seu gabinete de deputado estadual no Rio de Janeiro?
Flávio: Dona Raimunda e dona Danielle, mãe e esposa do saudoso Adriano da Nóbrega.
Lula: Adriano da Nóbrega é aquele que chefiava o Escritório do Crime, que praticava extorsões e assassinatos e usou parte do dinheiro da rachadinha para construir prédios irregulares nas comunidades de Muzema e Rio das Pedras?
Flávio: Ele mesmo.
Lula: Como o senhor agradeceu pela indicação das funcionárias?
Flávio: Concedi a Adriano da Nóbrega a maior honraria do Poder Legislativo, a Medalha Anchieta.
Lula: Ele estava preso nessa época?
Flávio: Sim, entreguei a medalha no presídio.
Lula: Quem era o melhor vizinho de seu pai no Condomínio Vivendas da Barra?
Flávio: Era Ronnie Lessa. Ele morava na casa 65 e, meu pai, na casa 58.
Lula: Ronnie Lessa é aquele que matou Marielle Franco e foi condenado a mais de 70 anos de prisão?
Flávio: Esse mesmo.
Lula: E também era o chefe da milícia de Rocha Miranda?
Flávio: Parece que sim.
Lula: Também tinha envolvimento com tráfico de armas, que guardava no condomínio?
Flávio: Saiu na imprensa, mas a imprensa, sabe como é? Não dá pra confiar.
Lula: Como o senhor conseguiu adquirir a mansão em Brasília no valor de R$ 6 milhões se seu patrimônio na época declarado pelo senhor era de R$ 1,7 milhão e seu salário de senador era de R$ 33 mil brutos? Foi durante o governo de seu pai, não é?
Flávio: O papai não ajudou em nada. Obtive empréstimo de R$ 3,1 milhões do BRB por 30 anos com juros de 3,7% a 4,85% ao ano.
Lula: O BRB é o banco que está sob investigação atualmente por ter comprado R$ 12 bilhões em créditos falsos do Banco Master?
Flávio: Sim, esse mesmo. A prestação inicial era de R$ 18 mil, o que era mais da metade da minha renda de R$ 37 mil mensais, mas minha esposa, dentista, contribuiu com R$ 9 mil mensais. Em julho de 2024, quitei o financiamento, pagando os R$ 3,1 milhões restantes em seis parcelas extras variando de R$ 198 mil a R$ 997 mil.
Lula: Com que recursos?
Flávio: Recursos lícitos, oriundos de minha atuação como parlamentar, empresário e advogado.
Lula: Qual foi a sua atuação como empresário?
Flávio: Fui sócio da loja de chocolates Kopenhagen.
Lula: Aquela que foi investigada por suspeita de lavagem de dinheiro? A loja recebeu mais de 1.500 depósitos em dinheiro vivo, não foi? A suspeita era de que era dinheiro da rachadinha do seu gabinete.
Flávio: O caso foi arquivado. Não provaram nada contra mim.
Lula: Quem foi seu advogado nesse caso?
Flávio: Frederico Wassef.
Lula: Aquele que escondeu Fabrício Queiróz quando era procurado pela polícia?
Flávio: Sim, foi um ato humanitário.
Lula: Muito obrigado, candidato… candidato, o senhor está bem?
Flávio, lívido, não consegue se manter de pé. É amparado pelo mediador. Está prestes a desmaiar. Correria no estúdio. Assessores procuram um médico na plateia. O diretor de TV berra: “Corta! Corta!”. O debate sai do ar.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



