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César Fonseca

Repórter de política e economia, editor do site Independência Sul Americana

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Punhalada no neoliberalismo: a agonia do BC independente no Império

O presidente Trump dá tranco no BC Independente americano – o FED –, dominado pelos banqueiros

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, D.C., EUA, em 6 de janeiro de 2026 (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

O imperador laranjão, ao que parece, quer o BC dependente da Casa Branca e do tesouro americano, não de Wall Street.

Afinal, independente, no modelo republicano, é ele, Trump, eleito pelo voto popular, não o presidente do FED, Jerome Powell, refém do mercado financeiro especulativo, como no Brasil, onde o BC é refém da Faria Lima.

A supremacia do mercado especulativo gerou a financeirizacao econômica como resultado da superacumulação de capital, para sustentar taxa elevada de lucro, não mais possível por meio da economia real, da produção e do consumo.

Trump é representante da burguesia imobiliária, industrial, cuja expansão depende de crédito barato, sem o qual a classe média não sobrevive, no cenário da sobreacumulação capitalista financeira especulativa. 

COMBATE AO ENDIVIDAMENTO DA CLASSE MÉDIA

A população de rua nos Estados Unidos se expande, incontrolavelmente, porque não consegue suportar as hipotecas bombeadas pelo juro alto como arma neoliberal de combate à inflação; manter tal situação, só desgasta o chefe da Casa Branca.

Trump sabe que a crise monetária de 2008, ainda não superada, demonstrou que a inflação não decorre do excesso de moeda na circulação, como argumentam os neoliberais, a exemplo do que o crash de 2008 comprovou.

Diante do colapso bancário, o FED, naquele ano, multiplicou por 4 a base monetária nos Estados Unidos.

A inflação, como teorizam os neoliberais, não aumentou; ao contrário, caiu.

Se tivesse subido, haveria estouro da base monetária e a dívida pública interna implodiria, aproximando ou superando a casa dos 100 trilhões de dolares, ou mais.

Por isso, Trump, agora, quer juro zero ou negativo, para ganhar eleição parlamentar, em novembro, a fim de dar curso a uma política econômica que barateia o crédito.

Com isso, aumentaria o consumo interno e conquistaria a classe média.

As corporações imobiliárias, setor no qual Trump impera, como o bam-bam-bam, aumentariam a oferta, vendendo mais barato.

Nesse contexto, o juro ficando na casa do zero ou negativo, Trump estabilizaria ou não a dívida pública, podendo evitar estouro financeiro, temor maior que afeta estabilidade do dólar?

EXEMPLO JAPONÊS

Trump deixa entrever que ele, na verdade, quer, para os Estados Unidos, um Banco Central tipo

japonês, que, há mais de três décadas, trabalha com déficit público acima de 200% do PIB.

As contas públicas, no Japão, não estouram devido aos juros negativos, que giram a dívida eternamente, sem perigo de implosão monetária, pelo menos até agora.

O jogo, na economia, é político, não, meramente, técnico no comando da política monetária.

Enfim, a economia política é dada pela política.

Jerome Powell, presidente do FED, ameaçado por Trump de processo criminal, vê a Independência do BC americano indo para o espaço, porque o presidente americano resolve implodir o modelo neoliberal que sustenta a financeirização especulativa, carrasca da classe média.

Qual será a resposta de Wall Street ao imperador da Casa Branca?

E como ficará, de agora em diante, o BC Independente brasileiro, que garante à Faria Lima a farra rentista que sangra o tesouro nacional em R$ 1 trilhão/ano, mantendo a economia estagnada, em banho-maria?

Trump dá uma punhalada no neoliberalismo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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