Quando a idade é só um número

Além de ver de perto e de longe, uns mais próximos e outros menos, casais com diferença de idade significativas funcionando harmonicamente, venho observando em alguns, e não são poucos, uma busca pela tal age gap

"A idade é só um número". Ouvi isso de um menino metade brasileiro, metade americano nos seus quase 20 anos, quando passava férias no Brasil alguns anos atrás.

Ouvi-o repetindo a frase sem dar qualquer crédito consistente a ele. Concordava da boca pra fora. Não sei se hoje concordo da boca pra dentro, mas tenho que admitir que avancei.

Além de ver de perto e de longe, uns mais próximos e outros menos, casais com diferença de idade significativas funcionando harmonicamente, venho observando em alguns, e não são poucos, uma busca pela tal age gap (diferença de idade).

Minha primeira grande dúvida é: será que o que eu ando vendo é mesmo uma procura por idades diferentes ou é a diferença entre as idades que não é mais a mesma? Eu posso explicar, ou ao menos tentar.

Hoje existe uma globalização de faixas etárias, seja pelo comportamento jovem todo meio parecido nas diferentes gerações (padronizado ao meu ver pela internet e suas redes sociais) ou pelos recursos estéticos disponíveis e uma certa tendência fashionista menos limitada a uma certa geração. Ou seja, avó parece mãe e mãe parece irmã; Moça paquera filho mas pode paquerar pai. Moço pode gostar da filha e também da mãe. E vice-versa.

E se a busca por relacionamentos com gente de décadas diferentes das nossas não for algo natural decorrente do melting pot de gentes que parecem ter nascido numa mesma faixa de tempo, deve haver outras razões (algumas "de sempre") pra vermos hoje tanta procura e tanto encontro de gentes de idades tão diferentes.

Acho que sempre foi assim. Sempre houve tudo que é tipo de combinação amorosa.

Homens mais velhos que se apaixonam por mulheres jovens, então, é algo milenar. A relação com as mais jovens os revigora, os faz acreditar na eternidade do poder da juventude. Muitas novinhas também buscam nos mais velhos, não só melhores possibilidades materiais como muitos imaginam, mas também uma certa proteção (e isso às vezes é algo que as excita) e também experiência (que as excita mais ainda!).

E o que faz bem ao corpo e alma deve ser aplaudido.

Os casais homossexuais também não parecem ter na diferença de idade um fator impeditivo. Conheço um monte deles, juntos há um tempão, sem qualquer problema em serem mais velhos ou mais novos que o outro. Palmas para eles!

O que mais vem chamando a minha atenção é o age gap quando se trata de mulheres mais velhas. Mulheres mais velhas que curtem se relacionar com homens mais jovens já têm nome na língua inglesa - são as cougars (eita nome infeliz!). Pelas mesmas razões masculinas, acho que há uma troca de energia que as faz se sentirem bebendo na fonte da juventude num gole só. Há as que digam que as gerações mais jovens vêm com um software atualizado, moderno e desencanado. Sem menos escudos de proteção e menos vírus. Prontos pra mergulhar e ver até onde isso os leva, coisa que às vezes não se vê em homens mais maduros. Estes ficam na piscina afetiva, muitas vezes, com medo do mergulho fundo, das ondas e dos seus possíveis tubarões que uma paixão pode atrair.

Felizes daqueles que mergulham. Felizes daquelas que acham quem as acompanhe nessa vertigem. Aplausos também.

Mas e os homens mais novos que buscam mulheres mais velhas? Resposta natural: querem mulheres experientes na cama, querem viver um sexo novo, de novidades. Será só isso? As mulheres novinhas não são mais as de antigamente. Fazem sexo que nem "gente grande". São decididas, aberta e arrojadas. Por que então essa procura por mulheres mais maduras, a meu ver crescente? Modismo? Desafio? A vivência de um romance sem pressões sociais de casamento. Casa própria ou filhos? Um amigo "consultor" (aquele homem grapette de um outro texto meu) diz que se a mulher tem gato, é sinal de que não vai perturbar pra casar ou ter filhos. Sinal verde pra começar algum tipo de relação. Acham ele bobo ou machista? Não discuto. Mas é sempre bom "ouvir o outro lado". Seja qual for a razão, a procura de jovens rapazes por mulheres mais velhas é fato. Talvez até pelo que já disse: aparências e espíritos jovens que se misturam, disfarçando e confundindo o público caçador.

Com diferença de idade ou sendo exatamente da mesma, são dignas de intermináveis palmas as pessoas que se juntam em parceria sexual, afetiva e/ou amorosa (considero afeto e amor como gênero e espécie) para dizer a que vieram por aqui viver suas existências ao máximo, com sensações de prazer, alegria e, por que não?, felicidade.

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