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José Reinaldo Carvalho

Jornalista, editor internacional do Brasil 247 e da página Resistência: http://www.resistencia.cc

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Rússia e China: uma fraternidade “para sempre”

A visita de Putin à China é acontecimento marcante na vida política internacional e prenuncia desdobramentos globais positivos

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Os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping assinaram uma Declaração Conjunta em 16 de Maio de 2024 (Foto: Xinhua )
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Por José Reinaldo Carvalho - Há 75 anos, quando Joseph Stálin e Mao Tsetung, dois dos maiores estadistas e líderes comunistas do século 20, se encontraram e estabeleceram relações diplomáticas, de amizade e cooperação, uma canção composta para comemorar o grande enlace tornou-se célebre. Seu mais sonoro verso dizia: “russos e chineses são irmãos para sempre”.

Hoje, em um contexto totalmente distinto, durante a visita que fez nos últimos dois dias a Pequim, o presidente Vladimir Putin, antes de começar o concerto comemorativo da efeméride, relembrou a canção e fez daquele verso uma profissão de fé sobre o desenvolvimento futuro dessa fraternidade. Ao citar a canção, o chefe do Kremlin expressou a confiança em que a relação fraternal entre os dois povos vai durar para sempre.

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A visita do presidente russo Vladimir Putin à China, ocorrida nesta quinta e sexta-feira (16 e 17) em meio à comemoração do 75º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, é um evento de grande significado geopolítico. As conversações entre Putin e o presidente chinês Xi Jinping resultaram em um reforço dos laços bilaterais, além de reafirmar o compromisso conjunto em prol de uma ordem mundial mais justa e multipolar, e da promoção da paz global.

As relações entre Rússia e China, como destacaram ambos os líderes, transcendem o mero pragmatismo e não são dirigidas contra nenhum outro país. Pelo contrário, representam um exemplo de cooperação baseada na confiança mútua, respeito e benefício mútuo. Putin enfatizou que a parceria entre Moscou e Pequim não é apenas simbólica, mas serve como modelo para os laços entre Estados vizinhos.

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Xi Jinping, sistematizou em cinco pontos os princípios em que as relações entre os dois gigantes se baseiam. Primeiro, a China e a Rússia estão comprometidas com o respeito mútuo como o princípio fundamental das relações, e sempre prestam apoio aos interesses centrais um do outro. Segundo, China e Rússia estão comprometidas com a cooperação ganha-ganha como a força motriz das relações, e trabalham para promover um novo paradigma de benefício mútuo. Terceiro, China e Rússia estão comprometidas com a amizade duradoura como fundamento das relações, e carregam a tocha da amizade sino-russa. Quarto, China e Rússia estão comprometidas com a coordenação estratégica como base das relações, e orientam a governança global na direção certa. Quinto, China e Rússia estão comprometidas com a justiça e a equidade como o propósito das relações. Esses "cinco princípios" estabelecem um modelo para as relações entre potências vizinhas e continuarão a guiar as relações entre China e Rússia em direção a novos sucessos.

Durante a visita de Putin, os dois líderes firmaram o compromisso de construir uma ordem mundial multipolar e democrática como passo significativo em direção à estabilidade global. Ambos concordaram que a hegemonia unilateral, as alianças militares e políticas fechadas e a política de força representam ameaças diretas à paz mundial e à segurança de todos os países. Em face disso, eles defendem uma abordagem baseada no direito internacional e no estabelecimento de novos pontos de equilíbrio de interesses globais. Em um mundo marcado por crescentes tensões geopolíticas e rivalidades entre grandes potências, a parceria entre Rússia e China oferece um contraponto de estabilidade. Ambos os países têm trabalhado ativamente para promover o multilateralismo, a multipolaridade e uma ordem mundial baseada no respeito ao direito internacional. Isso é fundamental para evitar conflitos e conjurar o perigo de uma confrontação global. 

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Ao defender uma ordem mundial multipolar, Rússia e China estão estabelecendo um contraponto à hegemonia unilateral e imperialista e promovendo uma distribuição mais equitativa do poder global. Isso é essencial para garantir que todas as nações tenham voz e representação nas decisões internacionais. Além disso, ao rejeitar alianças militares e políticas fechadas, os dois países estão defendendo uma abordagem mais inclusiva e cooperativa para a segurança coletiva. 

A visita do presidente russo evidenciou que a cooperação econômica entre Rússia e China está em ascensão, com a introdução oportuna de liquidações em moedas nacionais contribuindo para o aprofundamento dos laços comerciais e de investimento e reduzir a dependência do dólar americano. Isso tem o potencial de diversificar o sistema financeiro internacional. 

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A colaboração entre Rússia e China não se limita apenas às questões bilaterais, mas também abrange a cooperação regional. O compromisso de construir uma "Parceria Euroasiática Maior" demonstra a visão de longo prazo de ambos os países para promover a integração e o desenvolvimento em toda a região da Eurásia. Isso não só beneficia os dois países, mas também contribui para o crescimento e a estabilidade de outras nações na região.

Trata-se, para além disso, de uma cooperação sem limites, porquanto se manifesta nas Nações Unidas, no Brics, na OCX (Organização para a Cooperação de Xangai), no G20 e na iniciativa Cinturão e Rota. 

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Finalmente, como sinalização concreta da cooperação para a paz, o encontro entre Putin e Xi despertou novas expectativas quanto à abertura de caminhos para negociações objetivas que conduzam ao fim da guerra na Ucrânia. No diálogo que mantiveram a portas fechadas, Putin agradeceu ao presidente chinês pelas propostas que este lançou há um ano e reafirmou recentemente para resolver a situação na Ucrânia. Xi, por seu turno, disse que a China espera a rápida restauração da paz e estabilidade no continente europeu e voltou a se disponibilizar para continuar desempenhando um papel construtivo para este fim.

Por todos esses aspectos, a visita de Putin à China é um acontecimento que tende a acarretar desdobramentos positivos na conjuntura internacional por longo período. 

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