“Servo de Deus”
Lula pode dar a volta por cima
Durante toda a sabatina, Messias ficou na defensiva. Tentou livrar-se do apelido que ganhou há dez anos. “Bessias”. Apelido pejorativo, injusto, mas é difícil livrar-se de um apelido. Tentou livrar-se da imagem de que era “servo do PT”. Cunhou a expressão “servo de Deus”. Mas era outra pecha que grudou nele há uma década. Toda a sua carreira é visceralmente ligada ao PT. Tentou passar a imagem de honesto, humilde, justo, conciliador, mas nunca se impôs. Não demonstrou “notável saber jurídico”. Mas nem Mendonça, nem Kássio Nunes demonstraram, e mesmo assim foram aprovados. O cálculo dos senadores foi que, com Messias, Lula teria maioria no STF. Já tinha Toffoli, Zanin, Flávio Dino, todos indicados por ele. Alexandre de Moraes, embora indicado por um rival, ficou marcado como seu aliado, desde os idos de 8 de Janeiro. Lula até tentou soltar a mão dele, mas era tarde demais. Na mesma entrevista chamou-o de “companheiro”. Era o quarto “aliado”. O quinto era Gilmar Mendes, depois da “Vaza Jato”. Com Messias, seriam seis. Lula teria seis ministros, contra cinco. Os senadores já estavam “pê da vida” com Flávio Dino, seu desafeto declarado. Não queriam mais um rival. Lula não percebeu os sinais. Rodrigo Pacheco não era só o preferido de Alcolumbre, era o preferido dos senadores. Não tinha a pecha de “petista”. Era senador. Tinha mais cara de ministro. Seria aprovado com louvor. Não seria tão lulista quanto Messias, mas jamais anti-lulista. Há quem diga que Lula não deve indicar ninguém. Que qualquer um que indicar agora será derrotado. Mas, se indicasse Pacheco agora, reconhecendo seu erro, os senadores teriam coragem de rejeitá-lo? Acho que não. Como naquele samba de Paulo Vanzolini, Lula poderia dar a volta por cima.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



