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Verônica Lima

Deputada estadual pelo Rio de Janeiro, eleita em 2022 com 55.738 votos, e atualmente exerce seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), onde preside a Comissão Permanente de Cultura.

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Somos um mosaico chamado Brasil

A cultura brasileira nasce justamente da multiplicidade

Feira Diversidade Colorida, no Rio de Janeiro (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
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O Brasil não cabe numa definição única. Somos muitos. Somos diversos, múltiplos, somos vários brasis dentro de um grande Brasil. Nossa identidade nacional é feita de pedaços de histórias, ritmos, sotaques, cores e resistências que se encontram todos os dias nas ruas, nas festas populares, nos territórios periféricos, nos quilombos, nas aldeias, nos morros e nas praças.

Somos um grande mosaico cultural.

Cada pequeno recorte carrega um pedaço do que somos enquanto povo. O arraiá junino nos remete imediatamente ao Nordeste, às raízes populares, ao forró, à fogueira acesa como símbolo de encontro e memória coletiva. O bate-bola carrega a potência criativa das periferias fluminenses, transformando fantasia em identidade, ocupando as ruas com arte, irreverência e pertencimento. O funk ecoa das favelas e comunidades como linguagem legítima da juventude, como denúncia, celebração e sobrevivência.

Tudo isso é cultura brasileira.

Mas falar de cultura também é falar de disputa de narrativa e de poder. Durante décadas, o Brasil valorizou determinadas expressões culturais enquanto criminalizava ou invisibilizava outras, quase sempre aquelas produzidas pelo povo pobre, preto e periférico. O samba já foi perseguido. O funk ainda enfrenta preconceito. As manifestações populares muitas vezes são vistas apenas como folclore, quando na verdade carregam memória, identidade e organização social.

A cultura brasileira nasce justamente da multiplicidade, da soma de influências indígenas, africanas, nordestinas, suburbanas, periféricas, urbanas e populares. É na diversidade que mora nossa força.

Não por acaso, a Constituição Federal de 1988 reconhece, no artigo 215, que o Estado deve garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e proteger as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras. Cultura não é acessório. É direito.

E além de direito, é também desenvolvimento econômico. Segundo dados do IBGE e do Ministério da Cultura, o setor cultural reúne cerca de 5,9 milhões de trabalhadores no Brasil e movimenta aproximadamente R$ 387,9 bilhões na economia nacional. O setor também contribui com cerca de 3% do PIB brasileiro.

Esses números mostram aquilo que os fazedores de cultura já sabem há muito tempo, investir em cultura não é gasto. É desenvolvimento, dignidade, identidade e futuro.

Quando uma roda cultural acontece numa favela, quando um grupo de bate-bola ocupa as ruas, quando uma quadrilha ensaia meses para se apresentar, quando uma menina sonha em viver da dança, da música ou do teatro, existe geração de renda, fortalecimento comunitário e construção de autoestima coletiva.

Também existe pertencimento. Porque um povo que vê sua cultura respeitada passa a entender que sua própria existência tem valor.

Defender a cultura popular é defender memória, território e democracia. Um país que desvaloriza suas manifestações culturais também enfraquece sua própria identidade coletiva.

Porque somos parte de um todo. E esse todo só existe porque milhões de pequenos recortes insistem em resistir, criar e florescer.

O Brasil é exatamente isso, um país que dança diferente em cada canto, mas que carrega na arte a mesma vontade de existir.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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