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A líder trans Sara Yor escreve: "Alguns programas de pós-graduação no Brasil têm sido exemplares na criação de vagas as populações travestis e transexuais por meio de políticas de cotas ou vagas suplementares"

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Por Sara York

Entre 2018 e 2020 produzi uma dissertação inteira nos 2 anos de escuta, leitura e muito aprendizado, sobre as COTAS TRANS na pós graduação, um trabalho orientado pelo Prof.Dr. Fernando Pocahy. Mas antes, em 2018, fizemos na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, o "1° Seminário Shelida Ayana: Cotas para travestis e transexuais na graduação e pós-graduação" com participação de 100% dos participantes nas mesas TRANS e Intersexo e para uma plateia de mais 80% de pessoas trans da universidades e dos movimentos sociais, o evento coordenado por mim, Me. Alexandre França e Me. Diego Lanza (os dois últimos do Lab GE-SER que é liderado Prof. Dr. Sérgio Baptista. (para saber mais sobre clique aqui).

Em dezembro de 2020, tomamos conhecimento da decisão do Colegiado do Programa de Programa de Pós-graduação em Educação desta estimada instituição de criar no âmbito de suas políticas, ações afirmativas para o ingresso das populações travestis e transexuais, e aqui a gradeço a luta intensa das amigas Marcia Monks Jaekel, Marcio Caetano, Marina de Oliveira, Giovane Lessa e tantas gente que ecoa nossa luta em Pelotas-RS. 

Uma pesquisa da ANDIFES divulgada pela Folha de S.Paulo em 20 de maio de 2019 apontou que dos 424 mil estudantes matriculados nas instituições federais apenas 0,1% se declararam homem trans (travestis e transexuais) e 0,1% mulher trans. Nesta mesma notícia, o Jornal divulga que existe políticas específicas para estudantes trans em ao menos 12 das 63 universidades públicas, o que equivale a 19% do total das instituições. Outro dado que ganha relevância foi o Enem de 2020 que registrou uma explosão de 2.184 candidatos e candidatas que pleitearam o nome social, em um aumento de 450% em relação a 2019. O nome social é um dos pontos fundantes para inclusão TRANS nos processo educacionais formais. 

O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo —175 casos em 2020, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais. E estamos trabalhando em sentidos diversos, seja na inclusão a partir da pós graduação, seja na defesa das crianças que não tem se sentido livres em suas expressões de gênero, ainda tão delineadas pelo binarismo excludente, pressuposto e compulsório.  O ingresso da população travesti e transexual na academia tem dito registro sobretudo a partir desta década e a UFPel é uma das instituições que o Movimento Social reconhece como acolhedora. Essa ação tem ganhado ainda mais relevo com as políticas de incentivo ingresso pós-graduação e o PPGE-UFPel dá um grande (e, infelizmente, ainda atrasado) passo rumo à democratização da ciência.

Alguns programas de pós-graduação no Brasil têm sido exemplares na criação de vagas as populações travestis e transexuais por meio de políticas de cotas ou vagas suplementares, exatamente em decorrência desburocratização de seus processos e a UFPEL, orgulhosamente passa a compor esse grupo. Importante salientar que a pesquisa, produzida a partir de dados de levantamento feito pela Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), com estudantes de graduação em 2018 e citada acima, mostra que só 0,3% dos alunos de instituições federais se identifica como transgênero.

À Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da Universidade Federal de Pelotas – UFPel, parabéns e contem com todo nosso apoio.

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