Traição dos Bolsonaro promove uma semana difícil
Já é hora do STF e da PF agirem
Escrever um artigo sobre o que vivemos nos últimos dias é como mexer em uma colcha de retalhos, com diferentes pedaços, mas todos conectados, todos parte de uma única peça.
Tem o tarifaço, os ataques ao Pix, a traição e as mentiras lançadas por Flavio Bolsonaro e a extrema-direita, as novas revelações sobre o esquema Vorcaro e o Banco Master... enfim, é um mosaico. Vamos por partes.
Flávio foi aos Estados Unidos em meio a uma torrente de vazamentos sobre as suas ligações mais do que suspeitas com Daniel Vorcaro e sua gangue. Foi tentar um respiro, buscar algum amparo do “chefe supremo” para reduzir os danos eleitorais. Levou na mala um pedido de socorro e toda a sorte de fanfarronices e mentiras que acumula, com destaque para as falsas acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vinha construindo importantes acordos com os Estados Unidos.
Flavio teve três encontros em terras norte-americanas: com o presidente Donald Trump, mais protocolar, e com o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Defesa Marco Rubio, os dois últimos fortes lideranças da extrema-direita mundial e, aparentemente, mais decisivos nas graves decisões que vieram na sequência, com aval dos traidores da nossa pátria.
De pronto, Marco Rubio anunciou a classificação de duas facções criminosas brasileiras como terroristas internacionais, o que, por si só, causa imensos prejuízos econômicos, financeiros e sociais ao país. Mas Flávio Bolsonaro e a extrema- direita não se importam com isso. E, a quem alertou sobre os riscos para o Brasil, chamaram de “defensores de bandidos”, como se o país fosse criminoso. Não foi surpresa, o foragido Eduardo já disse publicamente que, se o Brasil virasse terra arrasada, melhor pra ele, que se sentiria vingado.
Na sequência, houve a ameaça do primeiro e do segundo tarifaços. Os Estados Unidos, usando informações ultrapassadas, taxaram diversos produtos brasileiros. Curiosamente, as medidas parecem não ter lógica, critérios. Alegaram dados de desmatamento da época de Bolsonaro, mas deixaram a madeira de fora da taxação. Acusaram o país de trabalho forçado na pecuária, mas livraram a carne bovina de nova tarifa. A explicação é simples: a política comercial estadunidense, que até parece à deriva, obedece única e exclusivamente aos interesses norte-americanos e eles precisam das nossas madeira e carne.
Mas há brasileiros que aplaudem e incentivam, achando que tirarão proveitos eleitorais disso, embora, em público, tentem convencer que são contra (a carta de Flávio Bolsonaro ao presidente Trump é de uma subserviência vergonhosa e, na despedida, reproduz um pequeno verso de uma famosa canção patriótica norte-americana, “God Bless America”, colocando o Brasil depois dos EUA; diz o trecho da carta do senador do PL, traduzido: “Que Deus abençoe os Estados Unidos, e que Deus abençoe o Brasil”)
Ele nada escreveu sobre as ameaças ao PIX, mesmo sabendo que, nas razões apresentadas pelo governo de Trump para o tarifaço, há 20 menções ao nosso sistema de pagamentos, talvez o verdadeiro alvo deles.
Com a pronta e firme reação do nosso governo e da população levou Flavio a sair atrás do prejuízo e tentar, mais de 24 horas depois, uma afoita manifestação. Repetindo um gesto de Lula e de todos nós, ele compareceu a um ato exibindo um cartaz com os dizeres “o PIX é do Brasil e do Bolsonaro”. Mentiu.
A criação do PIX deve-se ao corpo técnico do Banco Central, sob a presidência de Ilan Goldfajn. Com base em estudos iniciados em 2016, o BC criou, em 2018, o grupo de trabalho oficial que desenvolveria o sistema, sob o comando do economista Carlos Eduardo Brandt. No final de 2020, o PPIX foi lançado, mas sob desconfiança inicial, inclusive de Jair Bolsonaro.
Naquele ano, em uma daquelas tenebrosas “entrevistas” no cercadinho que construiu no Palácio da Alvorada, o ex-presidente e atual presidiário revelou que desconhecia o PIX: “Não tomei conhecimento, vou conversar esta semana com o Campos Neto (já o novo presidente do Banco Central)”, confessou.
Dois anos depois, Jair continuava a desprezar o PIX, que depois viria a usar e abusar para transacionar milhões em família. Mas, em abril de 2022, ele ainda não tinha aderido ao novo sistema de pagamentos. “Mais de 100 milhões tem Pix no Brasil. Eu não tenho. Tô afim de fazer um aí. Cai dinheiro na conta da gente de graça? Se pedir, o pessoal bota? Vou fazer meu Pix aí”, disse em uma live transmitida nas redes sociais.
Essa é a verdade que a extrema-direita distorce, na tentativa de tirar proveito da situação.
Com sua traição ao país, Flávio tentou, por todos os meios e a qualquer preço, desviar a atenção do seu envolvimento cada vez mais evidente na maior fraude financeira do Brasil, o caso do Banco Master. Uma fraude que prejudicou milhões de correntistas e teve inequívoco aporte de dinheiro público, com danos a aposentados e pensionistas de vários estados e municípios parceiros do bolsonarismo, como foi o caso do Rio de Janeiro.
A cortina de fumaça que lançou não conseguiu e nem conseguirá esconder as provas consistentes que saem a cada dia dos celulares apreendidos, principalmente dos aparelhos de Vorcaro. Já é mais do que hora do ministro André Mendonça, do STF, determinar a quebra dos sigilos bancário e telefônico da família Bolsonaro. Já é hora da Polícia Federal bater na porta do Senador.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




