‘Transformai as velhas formas...’

Será que as contradições que estão acontecendo no Brasil transformarão as “velhas formas do viver”? Mudanças são possíveis, claro!, e, na esteira de transformações, tudo dependerá do limite da náusea de cada cidadão

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Letra de música não serve apenas para preencher a melodia. Mais do que isso: é na precisão, na adequação das palavras, que um verso seduz. Há preciosidades e, nessa altura, falamos da boa música e de grandes nomes da poesia musical brasileira, verdadeiras obras-primas, trechos que dão vontade de ouvir outra vez, duas vezes, três vezes seguidas.

Na letra de “Tempo rei”, do bastante talentoso Gilberto Gil, mal entramos nos primeiros versos da canção e nos deparamos com imensa beleza reflexiva: “Não me iludo / Tudo permanecerá / Do jeito que tem sido / Transcorrendo / Transformando...”. 

Gravada em 1984, “Tempo rei”, na exata interpretação de Leonardo Davino, professor de Literatura Brasileira (UERJ), é uma “intervenção do sujeito no tempo, sem medo de perdas”, já que a partir da “errância ordinária” é possível “desenvolver sabedoria” e “mirar no mutável” (aqui).

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Passamos ao Brasil atual que está em marcha batida para o caos. Para usar o mais elementar recurso pedagógico, o da repetição, dois meses atrás escrevi neste espaço que o que temos hoje na política brasileira é o que restou da ditadura. Por obra da irracionalidade de muitos, temos o retorno de personagens autoritários, alguns beirando o sotaque de mafioso de filme B de Hollywood. A menos que não exista. Existe? 

Será que as contradições que estão acontecendo no Brasil transformarão as “velhas formas do viver”? Mudanças são possíveis, claro!, e, na esteira de transformações, tudo dependerá do limite da náusea de cada cidadão.

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E, por óbvio, será preciso que muitos saiam do torpor de apoiar um governo fratricida que tem a marca da incapacidade de dialogar com a imprensa, que é atacada dia sim, outro também, e perguntas de repórteres são respondidas com um brusco “Assunto encerrado” e “Acabou a entrevista”. Isso não é ser franco ou dizer a verdade, mas sim não saber responder. 

Se tudo precisa de recomeço, de mudança, que se inicie com o afastamento do inquilino do Alvorada, que é sinônimo de necropolítica; aliás, vocação inscrita no código genético do governo Bolsonaro, em que vidas importam pouco. A era dos autoritários começa a derreter e o presidente tem um enorme futuro às suas costas. 

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