Trump e a ruptura do consenso internacional pós-guerra
Ações do presidente dos Estados Unidos expõem desprezo pela soberania e abalam as bases das relações internacionais construídas desde a criação da ONU
“O domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado” - Donald Trump.
E ainda jogou em cima: “estamos reafirmando o poder americano de uma forma muito poderosa”.
Nunca o mundo assistiu a coisa desta dimensão nas relações internacionais.A não ser o que fez Hitler durante a Segunda Guerra Mundial e os países europeus para o estabelecimento das colônias na África, na América e na Ásia.
Mas, desde a fundação das Nações Unidas, com o trabalho extraordinário do presidente Roosevelt, implantou-se a ideia do fim dos impérios e das colônias, para desespero e desconforto de Churchill, que teve de engolir.
Os impérios existem ao longo da história e sempre estarão exercendo domínio e poder. Mas as coisas passaram a ser exercidas de maneira mais sutil e dentro de regras estabelecidas e do direito internacional, surgido dos tratados, acordos, entendimentos e outras manifestações assimiladas de maneira ampla pelas nações, de forma soberana.
O conceito de soberania, que foi surgindo nas relações entre as nações, está impregnado na vida dos povos e é bem aceito e compreendido de maneira ampla, exceto em episódios excepcionais e lamentáveis.
Mas o que Trump fez e disse ontem é uma afronta inaceitável a todas as nações, em especial a seus dirigentes e representantes.
É de se imaginar o quão difícil será para os líderes mundiais e dirigentes de nações quando visitarem ou receberem a visita de Trump. Com que cara? Pois Trump sempre estará representando e expressando a ideia de domínio e poder diante de todos. Deverão ser encontros desagradáveis.
Trump perturbou as relações internacionais civilizadas.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



