Trump: um império em desagregação
Algumas consequências graves já começam a acontecer para o destino dos EUA
É unânime entre os principais analistas geopolíticos do mundo inteiro, inclusive dos Estados Unidos, que o presidente Trump, ao subordinar os interesses dos EUA à ganância sionista de Netanyahu, cometeu um grave erro: subestimou a resistência do Irã, não teve, nem tem, uma estratégia nem objetivos políticos claros e, enfim, está sofrendo uma derrota no campo militar, político e econômico, podendo levar o mundo a um colapso econômico.
A resistência do Irã, desde o dia 28 de fevereiro, tem se mostrado mais forte do que o esperado. O porta-aviões Abraham Lincoln, atacado, teve de refugiar-se no Oceano Índico. Muitos aviões militares foram afetados ou derrubados, entre eles seis aviões de reabastecimento KC-135, um deles derrubado no Iraque e cinco atingidos numa base na Arábia Saudita. Todas as bases militares norte-americanas na região do Golfo Pérsico foram atingidas, com a existência de muitos mortos e feridos. Dias atrás, os EUA admitiram 140 mortos e feridos, mas o Irã estima muito mais. Entre eles estão seis dirigentes da CIA, cujo escritório em Riade foi destruído por um ataque iraniano.
Em Israel, as perdas são muito graves; entre mortos e feridos já se contam centenas. No norte do país, com a entrada do Hezbollah na luta, milhares de ocupantes foram retirados da fronteira com o Líbano, que voltou a ser objeto de ataques assassinos contra civis e crianças. Mas o problema maior dos sionistas israelenses é que as defesas consideradas inexpugnáveis têm se revelado frágeis: mísseis e drones atingem o pequeno país, de apenas 9 milhões de habitantes, todos os dias. E as sirenes de aviso à população para se refugiar nos bunkers subterrâneos tocam várias vezes ao dia; mas, às vezes, não tocam, e os ataques ocorrem. O povo está vivendo um verdadeiro drama, entrando em colapso psicológico, sempre correndo para debaixo da terra. E a economia do país vai se deteriorando dia a dia. E as armas vão se esgotando.
A expectativa da dupla Trump/Netanyahu era de mais uma guerra rápida: dar um golpe forte — como deram — e depois relaxar. Bombardearam gravemente o Irã, a começar por escolas e crianças, quase dois mil mortos já. Mas a resistência iraniana mostrou-se resiliente, preparada para uma guerra de longa duração. Guerra que pode redesenhar o destino geopolítico do Oriente Médio e, quem sabe, do mundo.
O Irã tem tido o apoio político e militar da Rússia e da China, além de ter-se preparado, ao longo dos anos, para este tipo de guerra. Mesmo o assassinato, no primeiro dia, do principal líder do país não provocou desistência; ao contrário, uniu ainda mais o povo persa, um povo de formação milenar, com 90 milhões de habitantes.
Algumas consequências graves já começam a acontecer para o destino dos EUA: tiveram de determinar uma retirada completa de civis do Iraque e de países do Golfo. O Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), que agrupa todos os demais países da região, começa a discutir a “insegurança” norte-americana. Por conterem bases militares dos EUA, têm sido gravemente atingidos pelo Irã — como já foram atingidos antes por outros, inclusive por Israel e pelos Houthis, do Iêmen; ou seja, a segurança dada pelos EUA é falsa; ao contrário, gera insegurança. Então começam a discutir o fim dessas bases militares. E também esta posição passou a ser uma exigência do Irã: o Oriente Médio para os povos da região, e não para potências imperialistas.
A situação de Trump é complicada. Ao ser eleito, dizia que queria paz no mundo, mas só está fazendo guerra. Coerentemente, mudou o nome de seu Departamento de Defesa para Departamento de Guerra. E agora se meteu numa situação da qual não sabe como sair: a cada dia diz uma coisa diferente — a guerra acaba logo, só mais uns dias, tivemos uma grande vitória e outras bravatas mais. Mas o que se vê é uma derrota. Com o fechamento do estreito de Ormuz pelo Irã, o mundo se vê diante de grave crise energética, podendo levar a um colapso econômico global. E outro problema que Trump enfrenta: as divergências entre os EUA e os sionistas israelenses se acentuam; qual será a consequência?
Além disso, a situação interna nos EUA tem piorado a cada dia para Trump. Seu prestígio desaba ante o povo norte-americano e até entre seus antigos apoiadores. Em novembro, há eleições parlamentares de meio de mandato. A derrota de Trump é previsível, abrindo caminho para um impeachment.
Mas o pior de tudo, para o mundo, é se o conflito evoluir para uma guerra total, mundial, nuclear. O único país que já jogou bomba atômica contra outro povo pode jogar outras. E a humanidade? Esperamos que o pior não aconteça, para o bem de todos.
Quanto ao Brasil, o governo Lula tem reafirmado nossa soberania. Agora tem dito que o Brasil não tem medo de cara feia. Assim asseguramos nossa soberania e garantimos nossa prosperidade.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



