Um governo temerário

O objetivo do golpe legislativo é impor um presidente da República que coloque em prática um projeto político que jamais seria aprovado pelos brasileiros em eleições democráticas

Brasília - O presidente interino Michel Temer durante cerimônia de posse aos ministros de seu governo, no Palácio do Planalto (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Brasília - O presidente interino Michel Temer durante cerimônia de posse aos ministros de seu governo, no Palácio do Planalto (Marcello Casal Jr/Agência Brasil) (Foto: Daniel Almeida)

Declarações públicas dos protagonistas do governo ilegítimo de Michel Temer não deixam dúvida. O objetivo do golpe legislativo é impor um presidente da República que coloque em prática um projeto político que jamais seria aprovado pelos brasileiros em eleições democráticas. Na marra, o peemedebista está adotando uma nova política de estado para o Brasil, indo no rumo oposto ao escolhido pelo povo que reelegeu por voto popular a presidenta Dilma Rousseff em 2014.

Notícias com ameaças a direitos arduamente conquistados são divulgadas diariamente pelo núcleo duro do interino. As propostas, como a Reforma da Previdência com idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres, o enxugamento de programas sociais e a privatização do SUS, representam a maior tentativa de violação da Constituição Federal de 1988, desde a sua criação há quase 30 anos.

Outro sinal contundente de que Temer conduz um governo que vira as costas para a sociedade é a composição de sua equipe. Como ele foi escolhido ilegalmente pelo Congresso como se houvesse uma eleição indireta, a prioridade é atender aos interesses dos deputados e dos senadores que o apoiaram. Nessa lógica, danem-se as ruas. A preocupação é prestar contas aos aliados conservadores, nada republicanos, que patrocinaram o golpe.

Alvo da Lava Jato, réu em três ações do Supremo Tribunal Federal (STF) e suspeito de tentativa de assassinato. Este é o perfil do líder do governo Temer na Câmara, André Moura (PSC-SE). Para completar a folha corrida, é o nome escolhido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para a função. Vale lembrar que Cunha também é réu no STF por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Isso demonstra o quanto esta nova gestão está a serviço de corruptos, estando longe de responder ao anseio da população que deseja o fim da corrupção. A situação é tão absurda que causou o primeiro racha na base governista. PSDB e DEM manifestaram extremo descontentamento com a definição de Moura.

Resistência. Esta é a palavra a nos guiar para lutar contra tantas ameaças de retrocessos em direitos sociais e trabalhistas. Temos de reforçar a luta em defesa do mandato constitucional da presidenta Dilma Rousseff no Senado. Não podemos admitir que setores da elite brasileira tomem decisões que comprometem negativamente o futuro do país. Cabe aos brasileiros definirem o caminho a seguir para retomar o desenvolvimento econômico e social. Por essa razão, temos de fazer consulta popular por plebiscito para saber se o eleitor quer ou não a antecipação das eleições presidenciais. É hora da guerra contra a opressão e da defesa da soberania do voto popular.

Nunca um nome condicionou tanto um destino. Temer, um governo temerário. Conforme o dicionário, irresponsável e que age sem se preocupar com o interesse público.

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