Virada na Bolívia mostra força das organizações populares

"A vitória de Luís Arce na eleição presidencial boliviana, onze meses depois do golpe contra Evo Morales, contém ensinamentos que não podem ser desprezados," escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Luis Arce
Luis Arce (Foto: Reprodução/Twitter)
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Por Paulo Moreira Leira, do Jornalistas pela Democracia

A vitória de Luís Arce em primeiro turno não foi uma vitória eleitoral, apenas.

Foi a reversão de uma situação política, que pretendia integrar a Bolívia na orbita das colonias norte-americanas, ao lado de  Brasil, Equador e Colombia. 

O maior fator diz respeito ao papel das organizações populares na preservação da democracia.

Este é o dado  que torna compreensível uma virada espetacular, em tempo recorde, que terá um impacto óbvio no continente.

Lembrando. Há apenas onze meses, um levante empresarial-policial  interrompeu a contagem de votos que daria a quarta vitória eleitoral a Evo. Vitoriosa, a promessa golpista era cortar pela raiz o processo de emancipação da sociedade boliviana, revertendo direitos e conquistas assegurados entre 2006 e 2019.

"Demos uma lição ao mundo. Amanhã a Bolívia será um país novo", declarou  em novembro do ano passado,  o mais moderado dos golpistas, Carlos Mesa, que neste fim de semana seria incapaz de receber votos em número suficiente para um segundo turno. Sucessora improvisada de Evo, Jeanine Añez abandonou a corrida eleitoral antes do fim.

É certo que vários fatores paralisaram os adversários de Luís Arce, a começar pelo conflito cada vez mais agudo entre Trump x Biden na disputa pelo  comando do império norte-americano e suas colônias.

Os inúmeros casos de dispersão e desorientação exibidos pelas várias famílias golpistas, nos últimos dias, constituem o exemplo mais claro dessa situação. Em -em inédita crise interna, que joga várias incertezas sobre a potencia número 1 do planeta, Washington tornou-se incapaz de oferecer uma linha de ação clara aos subordinados de sempre.

Não bastaram as divisões do andar de cima, porém, para se produzir uma mudança dessa envergadura. O que se viu neste fim de semana foi a manifestação de uma consciência popular profunda.

Na primeira oportunidade, várias vezes adiada, para dizer o que pensa do golpe de novembro de 2019, o povo boliviano enviou uma mensagem clara e vigorosa de repúdio.

O saldo é uma lição política de Evo Morales e seus aliados. Após 13 anos de governo do MAS, a maioria esmagadora do país não perdeu contato com os interesses e necessidades de um povo que, mesmo enfrentando carências materiais impensáveis em várias nações vizinhas,  conservam um justificado orgulho por suas conquistas e sua história.

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