Bolsonaro reage à volta da CPI da Covid e diz que ela "atrapalha" seu governo
Acuado com as investigações sobre irregularidades na pandemia, Jair Bolsonaro disse que a CPI da Covid atrapalha a sua governabilidade e atacou a imprensa ao criticar a cobertura dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito
247 - Jair Bolsonaro voltou a atacar a CPI da Covid nesta segunda-feira (2), um dia antes de a Comissão Parlamentar de Inquérito retomar os trabalhos. Ele afirmou que a CPI "atrapalha" o seu governo.
"A CPI atrapalha sim, tem gente que acredita. A grande mídia dá como verdade qualquer coisa que acontece na CPI que aponte na direção do governo. Estão tentando, o tempo todo, me acusar de corrupção pela compra de uma vacina que não gastamos um real. É uma CPI que continua satanizando o tratamento precoce, mas não apresenta uma alternativa", disse em entrevista à rádio ABC, de Novo Hamburgo.
A CPI investiga irregularidades na atuação do governo para o gerenciamento da crise do coronavírus. Uma das linhas de apuração são as ilegalidades nas negociações envolvendo a compra de vacinas. Uma delas foi a Covaxin, da Índia. A compra do imunizante foi a única para a qual houve um intermediário e sem vínculo com a indústria de vacina, a empresa Precisa. O preço da compra foi 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela fabricante.
No dia 1 de julho, o cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominguetti Pereira prestou depoimento à CPI da Covid confirmou a propina para as negociações envolvendo a vacina Astrazeneca. O valor de US$ 3,50 era o valor da dose na primeira tratativa sem propina, que, segundo ele, só viria com um US$ 1 dólar por dose a pedido de Roberto Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde.
No dia 15 de julho, Cristiano Carvalho, vendedor da empresa Davati Medical Supply no Brasil, confirmou que houve pedido de propina para as negociações envolvendo doses da vacina Astrazeneca.
Agenda da CPI
O primeiro depoimento previsto na CPI nesta terça é do reverendo Amilton Gomes, na terça-feira. A CPI quer esclarecer a participação da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Religiosos), entidade fundada por Amilton, em uma negociação paralela de vacinas levada ao Ministério da Saúde. O policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que ofereceu 400 milhões de doses de AstraZeneca sem autorização do laboratório e sem origem comprovada, contou com a intermediação do reverendo para ser atendido pelo governo federal.
Para quarta-feira estava previsto o depoimento de Francisco Maximiano, presidente da Precisa Medicamentos, empresa que atuou como intermediária na venda da vacina indiana Covaxin ao governo. Ele comunicou que não pode comparecer porque está na Índia. A princípio, o plano é deixar sua oitiva para a semana que vem, quando a comissao deve concentrar suas atenções para o caso. A CPI também pretende ouvir Tulio Silveira, advogado da Precisa, que participou das tratativas.
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