Boulos diz que Judiciário adotou o "padrão Lava Jato" contra ele e juntou "perseguição com criminalização do movimento social"
O líder do MTST, Guilherme Boulos, disse enxergar a aceitação da denúncia do MPF contra ele como uma medida típica do "padrão Lava Jato". De acordo com ativista, o Judiciário "junta perseguição política com criminalização do movimento social". Motivo da denúncia foi a ocupação de tríplex em protesto contra a prisão do ex-presidente Lula
247 - O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, classificou como uma "farsa" a decisão da Justiça de aceitar denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra ele e dois militantes do MTST pela ocupação do triplex no Guarujá, em 2018. O ato foi um protesto contra a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ativista disse enxergar a medida como típica do "padrão Lava Jato". De acordo com o líder do MTST, o Judiciário "junta perseguição política com criminalização do movimento social".
"É uma excrescência jurídica. A denúncia do MPF é um show de politização do Judiciário. Fizeram uma peça de perseguição política. Não tem nenhum fundamento. O artigo que eles usaram é de ‘dano à coisa própria’, porque o Lula, em um primeiro momento, também estava indiciado, então eles diziam que o triplex era do Lula e que a ocupação era um dano à coisa própria. Só que o Lula depois deixou de ser indiciado, não foi denunciado. E eles mantiveram o artigo", disse o ativista em entrevista a CartaCapital.
"Em tese, eles querem dizer que o triplex é meu e do MTST, ou dos outros dois militantes. É um escândalo. Nós vamos recorrer, naturalmente. Nosso advogado está preparando o recurso. Isso não para em pé, não se sustenta. É a nova farsa do triplex", continuou.
"Aquela foi uma manifestação simbólica do MTST e da Frente Povo Sem Medo, para denunciar uma arbitrariedade que foi cometida contra o ex-presidente Lula. E cumpriu o seu papel”, avaliou. “Eu nem estava lá, demonstrei isso no processo. Eu era pré-candidato à Presidência da República e estava em uma reunião partidária no mesmo momento. Mas a ação foi legítima", acrescentou.
O jornalista Reinaldo Azevedo também classificou a denúncia como um caso raro de "aberração".
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