Caso Master: PF pode ter novos depoimentos em janeiro após acareação entre executivos
Investigação no STF apura venda de títulos sem lastro pelo banco de Daniel Vorcaro
247 - A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) devem aprofundar, nas próximas semanas, as investigações sobre um suposto esquema de fraude envolvendo a venda de títulos de crédito pelo Banco Master. Depois de colher os depoimentos do dono da instituição, Daniel Vorcaro, e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, os investigadores avaliam a realização de novas oitivas, possivelmente já em janeiro.
De acordo com apuração do Jornal Valor, essas novas audiências teriam sido agendadas antes mesmo da acareação realizada pela PF na última terça-feira, no Supremo Tribunal Federal (STF), e seguem mantidas. O inquérito corre sob sigilo na Corte e está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli.
A investigação trata da suposta emissão e negociação de títulos de crédito sem lastro, que, segundo as suspeitas, teriam sido vendidos pelo Banco Master a outras instituições financeiras, entre elas o BRB. Conforme o que foi levantado até agora, os papéis comercializados seriam inexistentes. O volume do negócio irregular teria alcançado R$ 12,2 bilhões apenas entre janeiro e maio de 2025.
Na terça-feira, após contradições identificadas nos depoimentos, a PF promoveu uma acareação entre Vorcaro e Costa, procedimento utilizado para confrontar versões conflitantes apresentadas pelos investigados. No mesmo dia, também foi ouvido Ailton de Aquino, diretor de fiscalização do Banco Central (BC), que acabou liberado da acareação.
A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou, em nota, que não há contradições entre o depoimento do ex-presidente do BRB e o de Vorcaro. Segundo os advogados, existiriam apenas “percepções distintas sobre os mesmos fatos”.
Apesar disso, interlocutores do gabinete do ministro Dias Toffoli relataram ao Valor que os esclarecimentos prestados por Ailton de Aquino foram considerados “extremamente valiosos”. Na avaliação dessas fontes, as informações fornecidas pelo diretor do BC teriam colocado Vorcaro e Costa em uma situação delicada no âmbito das investigações.
Inicialmente, Toffoli havia determinado apenas a realização da acareação, decisão que gerou críticas por ter sido tomada antes da oitiva individual dos envolvidos. Posteriormente, o ministro recuou e determinou que os depoimentos fossem colhidos antes do confronto direto, o que acabou ocorrendo no mesmo dia. A própria PGR chegou a questionar a acareação sem oitivas prévias e pediu sua suspensão, sob o argumento de que o procedimento seria prematuro.
O Banco Central também solicitou esclarecimentos ao STF, inclusive sobre a condição em que Ailton de Aquino participaria do processo — se como investigado, ofendido ou testemunha. Em decisão proferida no sábado, Toffoli afirmou que o diretor da autarquia não é investigado no caso.
Em outra frente, o BC informou ao Tribunal de Contas da União (TCU) que a decisão de decretar a liquidação do Banco Master, em novembro, foi precedida por um processo de supervisão. Segundo a autarquia, a análise identificou uma combinação de crise crônica de liquidez, falhas no gerenciamento de riscos e a prática de “ilícitos graves” em operações de cessão de ativos a terceiros.

