Climatologista do Inpe diz que incêndios na Amazônia e no Pantanal devem ser causados por ação humana
Segundo Carlos Afonso Nobre os incêndios detectados atualmente no Pantanal e na Amazônia são "praticamente todos ilegais", porque não há tempestades que causem descargas elétricas ou raios que possam desencadear o fogo em uma vegetação seca
247 - O climatologista Carlos Afonso Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), disse à CNN, nesta quinta-feira, 17, que os incêndios detectados atualmente no Pantanal e na Amazônia são "praticamente todos ilegais", porque não há tempestades que causem descargas elétricas ou raios que possam desencadear o fogo em uma vegetação seca. Desta forma, os incêndios seriam causados pela ação humana.
"Eles [incêndios] todos são de origem humana. Quase todos são fogo de agricultores, pecuaristas, fazendeiros vão e colocam. Não é uma faísca acidental que surgiu em um trator que está operando ali, isso é muito raro", afirmou Nobre.
Para o climatologista, as chamas no Pantanal derivam da prática tradicional da agricultura e da pecuária brasileira de usar o fogo para renovar um pasto. "Agricultura que usa fogo é uma agricultura do século 19, 20. Agricultura do século 21 não usa fogo”, lembrou.
O delegado Daniel Rocha, que investiga as queimadas no Pantanal, disse, em entrevista ao CNN 360º, que quatro proprietários estão sendo observados no momento. "Nossa investigação analisa alguns focos dos meses de junho e julho. Os focos não têm como não terem sido ocasionados por ação humana. Estamos num período de seca, não tem intendência de raios para provocar essas queimadas naturais, então ação humana teve. Nós temos que identificar se ela é ação dos fazendeiros ou de terceiros", explicou o delegado federal.
De acordo com ele, as investigações identificaram que alguns dos focos iniciaram em regiões pouco habitadas de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e no interior de propriedades rurais. "Isso é um indício que o fogo pode ser utilizado como manejo de limpeza de pastagem, mas isso só com o decorrer da investigação para provar", disse.
"Além dos crimes de incêndio e poluição, também é crime de dano direto e indireto à unidade de conservação, uma vez que as áreas são próximas ao Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense. E crimes de danos de área e preservação permanente porque os focos de queimada atingiram a mata ciliar do rio Paraguai, que é um bem da união", explicou.