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Defesa pede à PF investigação sobre ajuda de militares a Delgatti na tentativa de descredibilizar as urnas eletrônicas

O hacker contou à Polícia Federal que Jair Bolsonaro teria lhe perguntado se seria possível invadir as urnas eletrônicas, o que ele não conseguiu

O hacker Walter Delgatti Neto (Foto: ABR | Divulgação)

247 - O Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, irá, segundo Andréia Sadi, do g1, acionar a Polícia Federal para tomar providências diante das revelações feitas pelo advogado do hacker Walter Delgatti Neto, que indicou que seu cliente teve um encontro com militares para discutir a vigilância das urnas eletrônicas, no que se mostraria posteriormente um processo de tentativa de descredibilização do sistema eleitoral. >>> Sob o comando de Zambelli e Bolsonaro, Delgatti trabalhou com militares para descredibilizar urnas

Conforme declarado pelo advogado de Delgatti, Ariovaldo Moreira, em uma entrevista à GloboNews, "a proposta era de que ele [Delgatti] iria trabalhar no Ministério da Defesa, no sentido de fiscalizar a lisura das urnas".

Moreira também explicou que Delgatti desempenhou o papel de elaborar questionamentos que foram submetidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio de um ofício do Ministério da Defesa, levantando dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas. >>> Delgatti diz à PF que Bolsonaro perguntou se ele conseguiria invadir as urnas eletrônicas

Conforme relatado por Moreira, o hacker, reconhecido por estar associado ao caso "Vaza Jato" e detido na quarta-feira (2), foi levado ao Ministério da Defesa durante o governo Jair Bolsonaro (PL) pelo coronel Marcelo Costa Câmara, que ocupava o cargo de assessor especial na Presidência.

Dentro das instalações do ministério, Delgatti teria se encontrado com o então ministro Paulo Sérgio Nogueira, além de ter conversado com um grupo que incluía o coronel Eduardo Gomes da Silva. A discussão nesse encontro abordou o interesse de sua participação na vigilância da "lisura das urnas". >>> Prisão de Walter Delgatti abre caminho para delação que incrimina Bolsonaro e Carla Zambelli

Gomes da Silva atualmente ocupa um cargo na administração de Lula como coordenador de Modernização do Estado, vinculado à Secretaria-Geral da Presidência. Durante a administração Bolsonaro, ele ficou marcado por aparecer ao lado do chefe em uma transmissão ao vivo onde foram lançadas suspeitas sobre as urnas, em julho de 2021. Provas não foram apresentadas.

O ministro José Múcio Monteiro também expressou sua intenção de verificar se alguma medida deve ser tomada pela atual administração do Ministério.

Quanto ao pedido de invasão das urnas, Delgatti relatou à Polícia Federal que em setembro de 2022, às vésperas das eleições, recebeu uma solicitação para tentar invadir as urnas. De acordo com o hacker, ele se reuniu com a deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP), que fez o pedido.

Posteriormente, em seu depoimento, ele afirmou ter tentado, mas o código-fonte não estava disponível em um computador online, o que impediu o ato. Em vez disso, ele admitiu ter invadido o sistema do CNJ e emitido um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, que foi entregue a Zambelli.

Após o depoimento, Zambelli foi alvo de uma operação da Polícia Federal na quarta-feira, a mesma operação que levou à segunda prisão de Delgatti. Além da prisão, a PF determinou a apreensão do passaporte de Zambelli e de bens avaliados acima de R$ 10 mil.