Edinho Silva vê Congresso distante da sociedade e admite falha do PT na CPI do Banco Master
Presidente do partido critica decisões do Legislativo e aponta crise no modelo político brasileiro
247 - O presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, fez uma análise sobre o cenário político, após a derrota do governo na indicação de Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal e a derrubada ao veto ao PL da Dosimetria. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele afirmou que o Legislativo tem se afastado dos interesses da sociedade e, ao mesmo tempo, reconheceu que o PT falhou ao não apoiar a investigação do Banco Master.
“Mais uma vez, o Congresso vira as costas para a sociedade”, declarou ele, afirmando que a legenda se equivocou ao não ter assinado: a CPI do Banco Master.
"Foi um erro que o PT cometeu”, disse. Para Edinho, os episódios recentes não são pontuais, mas revelam um problema mais profundo na política brasileira. Ele sustenta que há uma desconexão crescente entre o Congresso e a população, o que compromete a legitimidade das decisões.
“O modelo político brasileiro ruiu. Está totalmente destruído”, afirmou.
Na avaliação do dirigente petista, um dos principais sintomas dessa crise é o uso das emendas parlamentares como instrumento de negociação política. Segundo ele, o mecanismo passou a interferir diretamente na capacidade de governar.
“Quando você torna a emenda uma moeda de troca para votar projetos, é um sintoma gravíssimo”, disse. Ele acrescentou que esse modelo cria dependência do Executivo em relação ao Legislativo. “Fica refém e se estabelece um balcão de negociação que enfraquece o sistema político inteiro”, reforçou.
Ao tratar do caso Banco Master, Edinho reforçou que o partido perdeu a oportunidade de assumir protagonismo na apuração. Para ele, diante das denúncias, a iniciativa deveria ter partido das bancadas petistas.
“É evidente que, diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter liderado a formação das comissões de investigação”, afirmou.
Ele também destacou que o combate à corrupção deve ser uma prioridade permanente e não pode depender de conveniências políticas.
Judiciário, reformas e resposta à crise
O presidente do PT defendeu ainda que a atual crise institucional exige respostas estruturais. No campo do Judiciário, ele propôs uma reforma mais ampla, inspirada em experiências internacionais e construída com participação de diferentes setores.
“Nós temos que olhar aquilo que os países europeus fizeram e que deu certo. Não precisamos inventar o ovo”, declarou.
Segundo ele, mudanças devem fortalecer a democracia e evitar soluções autoritárias, preservando o protagonismo das instituições.
Edinho também comentou os desafios eleitorais do partido e o ambiente de polarização. Para ele, o debate político no país tende a se concentrar em uma disputa mais ampla entre democracia e autoritarismo.
“O que vai estar em escolha é muito mais que uma votação com esse recorte ideológico”, afirmou.
O dirigente reconheceu dificuldades de diálogo com setores da sociedade, especialmente a juventude e trabalhadores de novas ocupações, e defendeu maior aproximação do partido com esses grupos. “Precisamos ter humildade para que a gente se aproxime desses setores e crie as condições de diálogo”, disse.


