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Empresário confessa fraudes no INSS e firma delação com PF

Acordo revela esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pode ampliar apuração sobre desvios bilionários

Maurício Camisotti (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

247 O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro do ano passado, admitiu participação em fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF). A colaboração pode impulsionar o avanço das investigações sobre um esquema que teria causado prejuízos bilionários a pensionistas.

A delação é a primeira formalizada no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura irregularidades na aplicação de descontos em benefícios previdenciários. O acordo foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável por analisar sua validade jurídica. A expectativa da defesa é que, com a homologação, Camisotti obtenha o direito de cumprir prisão domiciliar.

Apontado como um dos principais operadores do esquema, o empresário atuava à frente de associações de aposentados que firmavam convênios com o INSS para autorizar descontos diretamente na folha de pagamento. Em seus depoimentos, ele detalhou o funcionamento das fraudes, incluindo a inclusão indevida de beneficiários e a realização de cobranças sem autorização.

O conteúdo da delação permanece sob sigilo, mas, segundo apurações, pode servir de base para novas etapas da investigação. A Polícia Federal já colheu os depoimentos de Camisotti e avalia os elementos apresentados.

Outros investigados também buscam firmar acordos de colaboração. Entre eles está o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, preso sob suspeita de receber propina de operadores do esquema. A soltura de sua esposa, a médica Thaísa Hoffmann, por decisão judicial em razão de questões humanitárias, teria influenciado sua disposição em negociar.

Também há tratativas iniciais envolvendo o ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidélis, detido desde novembro. Seu filho, o advogado Eric Fidélis, foi preso no mês seguinte. Ambos são investigados por possível participação nas irregularidades.

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