Esposa do ministro do STJ desabafa após acusações de assédio contra adolescente e toma a atitude
O pai da suposta vítima também usou o grupo para defender a filha
247 - A esposa do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi usou um grupo de WhatsApp para desabafar depois de tomar conhecimento das acusações de importunação sexual contra o magistrado. Abalada, ela disse ter recebido por escrito o relato do pai de uma jovem de 18 anos que acusa o ministro e afirmou estar “perdida” e “incrédula” com a situação. A reportagem optou por preservar os nomes dos demais envolvidos, com exceção do ministro. As informações são da CNN Brasil.
“Está difícil. Acabou com a minha vida”, escreveu. “Não sei o que dizer. Nunca imaginaria isso nem nos meus piores pesadelos. Ainda não sei o que fazer”, acrescentou.
No mesmo grupo, ela saiu em defesa da conduta passada do marido. "Só (peço) que entendam que estou casada há 43 anos e nunca aconteceu nada dessa natureza", afirmou. Em seguida, comunicou que deixaria a casa onde estava com o ministro: “Estou indo para a casa de amigas. Não sei ainda o que fazer.” Buzzi participava da conversa, mas não se manifestou.
O pai da suposta vítima também usou o grupo para defender a filha e criticar a conduta do magistrado. “O que o ministro não foi capaz de entender (...) é que ele não estava tratando com qualquer menina, mas com uma mulher de atitude, corajosa e que tem um futuro brilhante pela frente, que jamais será afetada por tamanho absurdo”, escreveu. Em outro trecho, completou: “Ele (o ministro) confundiu a doçura, a educação e a simpatia da minha filha, achando que ela iria se fechar, se calar e não contar para ninguém. Ledo engano, meu caro.”
Marco Buzzi foi afastado do cargo nesta terça-feira (10) por decisão do STJ, após ser denunciado por duas mulheres diferentes por importunação sexual. O afastamento foi determinado em caráter cautelar e por tempo limitado.
O ministro é alvo de uma sindicância interna instaurada na semana passada por decisão unânime de seus pares. Poucas horas depois da abertura da apuração, ele apresentou atestado médico e solicitou afastamento das funções. O plenário do STJ marcou para 10 de março de 2026 a sessão que irá analisar o relatório final da investigação interna.
A defesa de Marco Buzzi nega todas as acusações. Em nota, os advogados afirmam que o afastamento cautelar é desnecessário, por não haver “risco concreto à higidez procedimental da investigação” e porque o ministro já estaria afastado para tratamento médico. A defesa também informou que pretende apresentar “contraprovas” no decorrer do processo.

