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Ex-ministro Raul Jungmann morre aos 73 anos

Ex-titular de cinco pastas federais, Jungmann presidia o Instituto Brasileiro de Mineração desde 2022

Ex-ministro Raul Jungmann (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

247 - O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo (18), em Brasília. A notícia foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), entidade da qual ele era presidente desde 2022. Ao longo de sua trajetória pública, Jungmann ocupou cinco vezes o cargo de ministro de Estado e exerceu mandatos no Legislativo federal e municipal. As informações são do G1.  

Segundo o IBRAM, o falecimento ocorreu na capital federal e o velório será realizado em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos, conforme desejo manifestado pelo próprio Jungmann. A nota foi divulgada pela instituição na manhã deste domingo.

Trajetória nos ministérios

Raul Jungmann teve passagem por diferentes governos e áreas estratégicas da administração pública. Durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, comandou os ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. Já no governo de Michel Temer, esteve à frente do Ministério da Defesa e, em 2018, assumiu o recém-criado Ministério da Segurança Pública, tornando-se o primeiro titular da pasta.

Ainda durante o governo Temer, Jungmann coordenou operações baseadas em decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autorizaram o emprego das Forças Armadas em estados atingidos por crises na segurança pública.

Atuação política e partidária

Na juventude, Raul Jungmann militou no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ao longo da carreira partidária, foi filiado ao MDB entre 1972 e 1994, integrou o PPS até 2001, migrou para o PMDB e retornou ao PPS em 2003.

A projeção nacional alcançada como ministro contribuiu para sua eleição como deputado federal por Pernambuco em 2002. Ele foi reeleito em 2006 e, em 2010, concorreu ao Senado, sem sucesso. Em 2012, conquistou novo mandato eletivo, desta vez como vereador do Recife. Nas eleições de 2014, ficou na suplência para a Câmara dos Deputados.

No Congresso, Jungmann foi vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que investigou um esquema de corrupção envolvendo a compra de ambulâncias. Também atuou como um dos líderes da Frente Brasil Sem Armas durante o referendo de 2005 sobre a comercialização de armas de fogo.

Na legislatura iniciada em 2015, exerceu mandato de deputado federal até 2016. Naquele período, posicionou-se na oposição ao governo Dilma Rousseff e defendeu o impeachment da presidente, processo que resultou na ascensão de Michel Temer à Presidência da República.

Investigação arquivada

Raul Jungmann chegou a ser investigado por suspeitas de fraude em licitação, peculato e corrupção em contratos de publicidade firmados durante sua gestão no Ministério do Desenvolvimento Agrário, que somavam R$ 33 milhões. O inquérito foi posteriormente arquivado pela Justiça Federal.

Atuação no setor mineral

Desde 2022, Jungmann presidia o Instituto Brasileiro de Mineração. Em nota oficial, o IBRAM informou que ele liderava uma agenda de transformação do setor mineral, orientada por princípios ambientais, sociais e de governança, além da defesa de uma mineração considerada mais responsável e alinhada aos desafios contemporâneos.

A entidade destacou que, sob sua gestão, o instituto fortaleceu seu protagonismo institucional e seu compromisso com a legalidade, a sustentabilidade, a inovação e o papel estratégico dos minerais na transição energética global.

Nota do IBRAM

Em comunicado, o Instituto Brasileiro de Mineração afirmou que Raul Jungmann dedicou mais de cinco décadas à vida pública brasileira, com atuação pautada pelo espírito republicano, pela defesa da democracia e pelo diálogo institucional. A presidente do Conselho Diretor do IBRAM, Ana Sanches, declarou que Jungmann foi um homem público “de estatura singular” e que conduziu a entidade em um período decisivo, marcado pela integridade e pela articulação política.

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