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Fim da escala 6x1 pode afetar milhões de trabalhadores informais e redefinir mercado de trabalho

Proposta em debate no ongresso pode melhorar empregos formais e influenciar condições de ambulantes, autônomos e entregadores

Emprego Carteira de Trabalho (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)

247 - O Brasil chega ao 1º de Maio diante de um cenário contraditório: enquanto avança no Congresso o debate sobre o fim da escala 6x1, a regulação do trabalho por aplicativos permanece travada. Reportagem do Brasil de Fato mostra que essa disputa ocorre em meio à realidade de 42,8 milhões de trabalhadores informais, que, embora não sejam diretamente beneficiados pela mudança na jornada formal, podem sofrer impactos indiretos significativos.

Esse contingente cresceu paralelamente à deterioração das condições de trabalho com carteira assinada. Em abril de 2024, o país registrou mais de 734 mil pedidos de demissão, o maior número da série histórica. Segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego, mais de 30% das saídas foram motivadas por adoecimento físico ou mental, enquanto a rigidez das jornadas aparece como uma das principais queixas.

Especialistas apontam que o aumento das demissões não indica rejeição ao emprego formal, mas sim uma busca por condições menos desgastantes. O economista Cássio da Silva Calvete afirma: “Eu não acredito que as pessoas estão abandonando a CLT. O que eu acredito é que as pessoas estão, como sempre, e agora talvez até mais, procurando boas ocupações, ocupações em melhores condições de trabalho”.

A chamada “grande demissão”, observada em outros países, ganha contornos próprios no Brasil: ocorre em um mercado aquecido, mas marcado pela precarização. Uma sondagem do governo mostra que 76% dos trabalhadores que pediram desligamento estavam satisfeitos com a decisão.

Para a pesquisadora Natália Cindra, o fenômeno reflete uma deterioração do emprego formal. “O que a gente vê é uma aproximação entre formal e informal. Mas isso não é porque o informal melhorou, é porque o trabalho formal piorou”

Confira a reportagem completa no Brasil de Fato

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