Flávio Bolsonaro aciona TSE após derreter na pesquisa Atlas
Senador do PL questiona metodologia da AtlasIntel/Bloomberg após perder seis pontos em cenário de segundo turno contra Lula
247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19), após registrar queda nas intenções de voto em cenários para a eleição presidencial de 2026. As informações foram publicadas originalmente pelo Metrópoles.
Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno. Flávio, que aparecia tecnicamente empatado com Lula na pesquisa anterior, divulgada em abril, perdeu seis pontos percentuais no novo cenário apresentado pelo instituto.
Na sondagem mais recente, Lula aparece com 48,9% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro soma 41,8%. No levantamento anterior, o senador do PL tinha 47,8%, contra 47,5% do atual presidente da República.
PL questiona metodologia da pesquisa
Em nota, o Partido Liberal afirmou que a ação apresentada ao TSE “questiona a metodologia adotada no levantamento e sustenta que o questionário teria sido estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”.
A legenda também alegou que a ordem das perguntas e a forma de apresentação dos temas comprometeram a neutralidade da pesquisa. Segundo o partido, houve associação indevida entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
De acordo com o comunicado do PL, “a sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados”.
Partido fala em “precedente manipulativo”
Ainda segundo o partido, o levantamento teria criado um “precedente manipulativo grave” e deixado de observar “a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais destinados à divulgação pública”.
A legenda informou também que a representação protocolada no TSE pede a apuração de eventual crime eleitoral. “A representação também pede a apuração de possível prática de crime eleitoral, diante da gravidade dos vícios apontados e do risco de divulgação de pesquisa considerada fraudulenta pela defesa”, afirmou o PL.
A pesquisa questionou os entrevistados sobre em quem votariam “se esses fossem os candidatos” à Presidência da República em 2026. Lula liderou o cenário de primeiro turno com 47% das intenções de voto.
Lula lidera cenários de primeiro e segundo turno
No levantamento estimulado para o primeiro turno, Flávio Bolsonaro apareceu com 34,3%, seguido por Renan Santos (Missão), com 6,9%, e Romeu Zema (Novo), com 5,2%.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), registrou 2,7%, enquanto Augusto Cury (Avante) marcou 0,4% e Aldo Rebelo (DC), 0,2%. Outros candidatos somaram 0,6%. Brancos e nulos chegaram a 1,4%, e 1,9% disseram não saber em quem votar.
Já no cenário de segundo turno, Lula alcançou 48,9%, contra 41,8% de Flávio Bolsonaro. O percentual de brancos, nulos e indecisos ficou em 9,3%.
Conversas com Daniel Vorcaro impactaram cenário
A queda de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto ocorreu após a divulgação de conversas vazadas entre o senador e Daniel Vorcaro. Nas mensagens, Flávio cobra recursos financeiros para a produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O levantamento da AtlasIntel mostrou que 95,6% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento do vazamento das conversas. Entre eles, 65,2% disseram não ter se surpreendido com o conteúdo divulgado.
Além disso, 45,1% dos participantes da pesquisa afirmaram que o episódio enfraqueceu “muito” uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Pesquisa ouviu mais de 5 mil pessoas
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio de 2026 e ouviu 5.032 brasileiros adultos em todo o país.
O levantamento possui nível de confiança de 95% e margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos.
A sondagem foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-06939/2026.



