Flávio Bolsonaro engoliu Zema e Caiado, diz Wellington Dias
Ministro afirma que crescimento do senador nas pesquisas reduz espaço para outros nomes da direita e aponta cenário mais polarizado na disputa presidencial
247 - O ministro do Desenvolvimento Social e coordenador da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Wellington Dias, afirmou que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a concentrar o campo da direita nas eleições presidenciais. Em entrevista publicada pela coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles, nesta quarta-feira (24/4), o ministro analisou o avanço do parlamentar nas pesquisas de intenção de voto.
Segundo Dias, o atual cenário político indica uma tendência de maior concentração de forças no campo conservador, reduzindo a fragmentação observada anteriormente. Para ele, a candidatura de Flávio Bolsonaro ocupa o espaço político que antes era associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, fortalecendo a polarização.
“Agora, a gente tem uma situação em que, de um lado, esse candidato ocupa o espaço do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. É o mesmo campo e a mesma matriz. A eleição, nesse caso, seria polarizada. Antes, você tinha o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o governador Romeu Zema, o governador Ronaldo Caiado, o governador Ratinho Júnior e o governador Eduardo Leite, um pouco mais ao centro. Enfim, havia uma situação que já era polarizada, mas bastante pulverizada. O que mudou, na minha opinião, é que essa candidatura de Flávio Bolsonaro acabou engolindo as demais, tanto que Ratinho Júnior desistiu. Outros também anunciam desistência”, declarou o ministro.
Apesar do crescimento de Flávio Bolsonaro nas sondagens eleitorais, Wellington Dias avaliou que o ambiente político atual apresenta menor nível de tensão em comparação com a disputa de 2022. Naquele pleito, Lula enfrentou diretamente Jair Bolsonaro, então presidente da República.
“Eu digo que não existe eleição fácil. Porém, é um ambiente de menos tensão, diferente de antes, quando Bolsonaro estava na Presidência e houve abuso de poder, como foi apontado em diversas investigações”, afirmou.
Levantamento da Genial/Quaest divulgado em 15 de abril indica um cenário competitivo entre os dois principais nomes. Em uma simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Lula registra 40%, configurando empate técnico dentro da margem de erro.
No primeiro turno, o estudo aponta Lula com 37%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 32%. Na sequência, aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 6%, e Romeu Zema (Novo), com 3%. Entre os entrevistados, 5% se declararam indecisos, enquanto 11% afirmaram que pretendem votar em branco, nulo ou não comparecer às urnas.
A pesquisa também revela o grau de consolidação das escolhas eleitorais: 57% dos eleitores disseram que já têm decisão definitiva, enquanto 43% ainda admitem a possibilidade de mudar o voto até o pleito.
