Gilmar Mendes: Moro e Dallagnol eram "transgressores da lei" e ex-juiz era o chefe da Lava Jato

Ministro do STF Gilmar Mendes afirmou que a Lava Jato não tinha "mais agentes públicos atuando dentro da esfera de suas competências e sim "transgressores da lei". "Isso é extremamente grave", disse. "Quem é o chefe/coordenador da Lava Jato segundo esses vazamentos, esses diálogos? É o [Sergio] Moro, que eles [procuradores] chamavam de russo", criticou

Ministro do STF Gilmar Mendes, e Sérgio Moro mais Deltan Dallagnol, ex-juiz e ex-procurador da Lava Jato, respectivamente
Ministro do STF Gilmar Mendes, e Sérgio Moro mais Deltan Dallagnol, ex-juiz e ex-procurador da Lava Jato, respectivamente (Foto: STF - Divulgação)
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247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes destacou, nesta sexta-feira (5), a violação das leis cometidas por Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol durante a Lava Jato. O ministro da Corte afirmou que o ex-juiz era o chefe da operação, em uma conduta que, segundo Gilmar, era um reflexo "de um total descolamento institucional".

 Ao comentar a incorporação dos membros da força-tarefa ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Paraná, o ministro afirmou que a Procuradoria-Geral da República "detectou uma desinstitucionalização (...)". "Veja, nós já não tínhamos mais agentes públicos atuando dentro da esfera de suas competências, tínhamos transgressores da lei e isso é extremamente grave e lamentável", disse o ministro em entrevista à CNN Brasil

De acordo com Gilmar, os diálogos revelados sobre as conversas de Moro com procuradores do Ministério Público Federal indicaram que a Lava Jato "estava em outra estratosfera". "Sequer pertencia ao Ministério Público, você não vê ninguém da Procuradoria Geral da República (PGR), nenhum corregedor. Quem é o chefe/coordenador da Lava Jato segundo esses vazamentos, esses diálogos? É o [Sergio] Moro, que eles [procuradores] chamavam de russo", continuou.

O ministro reforçou que os membros da operação "diziam até seguir o Código de Processo Penal (CPP) da Rússia". "Isso é sintomático de um total descolamento institucional. Daí talvez a importância desse regresso ao Brasil. Eles talvez tenham que estabelecer relações via Gaeco", complementou.

O ex-juiz era chamado não apenas de "Russo" e de "Putin", referência ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. Procuradores também afirmavam ter um código de processo penal exclusivo para eles e, portanto, fora da lei brasileira, um "Código de Processo Penal da Rússia".

As várias condutas irregulares de Moro e do MPF-PR foram divulgadas pelo site Intercept, a partir de junho de 2019, e continuam sendo reveladas, agora pela defesa do ex-presidente Lula, após liberação do Supremo Tribunal Federal. Em uma das conversas, Dallagnol deixou a clara a sua parcialidade em ação contra o petista. "O material que o Moro nos contou é ótimo. Se for verdade, é a pá de cal no 9 e o Márcio merece uma medalha", disse.

Em outra mensagem, Moro perguntou se os procuradores têm uma "denúncia sólida o suficiente" contra Lula.

Na terça-feira (2), Gilmar disse que "Lula é digno de um julgamento justo".

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