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Helder Barbalho condena ataque dos EUA e fala em agressão internacional

Governador do Pará condena captura de Maduro por potência estrangeira e afirma que agressão viola o direito internacional e a autodeterminação dos povos

Helder Barbalho (Foto: Reprodução)

247 - A ofensiva militar anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Venezuela provocou reações duras no Brasil e reacendeu o debate sobre soberania, direito internacional e os limites da ação de potências estrangeiras na América do Sul. Entre as manifestações, destacou-se a do governador do Pará, Helder Barbalho, que classificou o episódio como um “retrocesso histórico” para o continente.

Em publicação nas redes sociais, o governador afirmou que a região levou séculos para construir um arcabouço civilizatório baseado no direito internacional, cuja premissa central é a autodeterminação dos povos e o multilateralismo. Para Barbalho, os acontecimentos recentes representam uma ruptura grave com esses princípios. “A América do Sul vive um retrocesso histórico no dia de hoje. Demoramos, como civilização, séculos para construir um arcabouço chamado direito internacional, cuja premissa é a autodeterminação dos povos e o multilateralismo”, escreveu.

Na avaliação do governador, a permanência de Nicolás Maduro no poder, especialmente após o que chamou de “última ratificação autoritária”, gerou repulsa entre aqueles que defendem a democracia plena. Ainda assim, Barbalho ponderou que a rejeição ao governo venezuelano não pode servir de justificativa para ações externas de força. “Que Maduro não deveria nem poderia mais permanecer, como ditador, não há dúvida. A questão não é essa. A questão é se os fins justificam os meios e se somos na América Latina meras colônias como quando os primeiros europeus chegaram por aqui”, afirmou, antes de responder de forma categórica: “A resposta é não!”.

O governador foi enfático ao condenar a captura do chefe de Estado venezuelano por uma potência estrangeira, independentemente de qual seja. “Quando uma potência estrangeira – qualquer uma! – captura e sequestra o chefe de Estado de um país soberano estamos diante de uma agressão à toda ordem internacional”, declarou. Para ele, a violência empregada amplia um histórico de agressões sofridas pela região. “A violência extrema de uma nação estrangeira nas fronteiras de nosso continente é também uma agressão sobre outra agressão, a da ditadura de Maduro, mais uma na histórica da sofrida América do Sul.”

Barbalho concluiu defendendo que erros sucessivos não produzem soluções legítimas e expressou esperança em um desfecho pautado por princípios. “Um erro não justifica outro e dois erros não fazem um acerto. Esperemos que a evolução dos acontecimentos permita que uma solução baseada no respeito a princípios, e não só à força, prevaleça no final.” O governador também manifestou solidariedade ao povo venezuelano e citou o humanista Andrés Bello: “Só a unidade do povo e a solidariedade de seus dirigentes garantem a grandeza das nações”.

O posicionamento ocorre após o anúncio feito por Donald Trump, também nas redes sociais, de um ataque em larga escala à Venezuela neste sábado (03). Segundo o presidente norte-americano, a capital Caracas e outras cidades teriam sido atingidas por operações aéreas e terrestres. Trump declarou que a ação foi bem-sucedida e que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa”, afirmou Trump. Em outra mensagem, acrescentou: “Esta operação foi realizada em conjunto com as forças policiais dos EUA. Mais detalhes em breve. Haverá uma coletiva de imprensa hoje, às 11h, em Mar-a-Lago. Obrigado pela atenção!”.

Do lado venezuelano, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, reagiu duramente à ofensiva e rejeitou a presença de tropas estrangeiras no país. Ele classificou o ataque como “vil e covarde” e pediu ajuda internacional diante do que considerou uma violação da soberania nacional.

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