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João Santana alerta para "soma negativa" em homenagem a Lula no Carnaval

Ex-marqueteiro do PT diz que presença de Lula e Janja no desfile da Acadêmicos de Niterói eleva risco político e pode ampliar desgaste em redutos

João Santana alerta para "soma negativa" em homenagem a Lula no Carnaval (Foto: Will Shutter/Câmara dos Deputados)

247 - O ex-marqueteiro João Santana avalia que a decisão de associar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, ao desfile da Acadêmicos de Niterói cria um cenário de alto risco político. A crítica ocorre no contexto da apresentação na Marquês de Sapucaí, marcada para domingo (15), com enredo dedicado ao presidente. As informações sobre a agenda e os bastidores partidários foram publicadas por veículos de imprensa ao longo da semana.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Santana recorre a uma leitura estratégica para sustentar que a aposta pode sair cara. “Recorrendo à teoria dos jogos, me parece que se produzirá um cenário de soma negativa — onde todos saem perdendo. A relação entre carnaval e política sempre foi um jogo delicado. O maior risco não são as vaias na apoteose, mas sim nos bolsões do Sul e do Sudeste, onde Lula precisa desesperadamente de votos. Imagine a reação no interior de SP, entre os evangélicos, diante do desfile. Antes de tudo, o carnaval presta mais para a demolição do que para a construção da imagem de um político. No caso da escola de Niterói, pode-se dizer como atenuante que foi uma iniciativa espontânea, mas deixou de ser quando o presidente e a primeira-dama se aproximaram perigosamente do evento".

Para o estrategista, o ponto sensível não está apenas no que pode acontecer no sambódromo, mas nos efeitos colaterais fora dele — especialmente em regiões onde o presidente precisa recompor apoio. A avaliação sugere que a visibilidade do Carnaval, ao misturar espetáculo e política, tende a ampliar ruídos em segmentos conservadores e no eleitorado evangélico, com potencial de desgaste.

O enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” tem sido celebrado por aliados. Segundo relatos, o presidente apresentou o samba-enredo a deputados durante um jantar na Granja do Torto, em Brasília, e a letra cita Dona Lindu, figura recorrente em seus discursos. A participação de Janja em um carro alegórico e a expectativa de que Lula acompanhe a apresentação ampliaram a repercussão do tema.

Dentro do Partido dos Trabalhadores, há leituras distintas. Uma ala vê a exposição como excessiva e teme manifestações negativas ao longo de um desfile que dura mais de uma hora e reúne público heterogêneo; outra minimiza o risco e sustenta que o foco do espectador é o espetáculo, não a política. A oposição, por sua vez, questiona a homenagem e levanta a hipótese de promoção indevida de autoridades, já que escolas do grupo especial recebem patrocínio federal, além de mencionar o risco de interpretação como campanha antecipada.

A agenda presidencial no Carnaval inclui ainda aparições no Recife e em Salvador, o que, na leitura de Santana, aumenta o peso simbólico da estratégia de exposição. Para o ex-marqueteiro, a aproximação institucional com o desfile tira o caráter “espontâneo” da homenagem e transforma o episódio em um teste político de alto custo potencial.

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