Justiça do Rio manda PF acionar Interpol contra ex-diretor da Hurb
Juiz aponta risco à ordem pública e possibilidade de fuga internacional
247 - A Justiça do Rio de Janeiro determinou que a Polícia Federal inclua o nome de João Ricardo Rangel Mendes, fundador e ex-diretor da Hurb, antigo Hotel Urbano, na lista de procurados da Interpol. A decisão foi proferida pelo juiz André Felipe Veras de Oliveira, da 32ª Vara Criminal, diante da avaliação de que o empresário, atualmente foragido, representa risco concreto à ordem pública e pode ter condições de deixar o país. Segundo a Folha de S.Paulo, a inclusão do nome de Mendes na difusão vermelha da Interpol foi determinada após o não cumprimento de um mandado de prisão preventiva expedido no início de janeiro.
Prisão preventiva levou à ordem de busca internacional
João Ricardo Mendes está foragido desde o dia 7 de janeiro, quando teve a prisão preventiva decretada. Dias antes, ele havia sido detido no Aeroporto Regional de Jericoacoara, em Cruz, no Ceará, ao tentar embarcar para Guarulhos, em São Paulo, utilizando documento falso. Apesar da detenção, acabou liberado.
O uso de documentação falsa configurou, segundo a Justiça, o descumprimento das medidas cautelares que já estavam em vigor. Uma das condições impostas ao empresário era não cometer novos crimes, o que levou à decretação da prisão preventiva.
Juiz aponta risco concreto à ordem pública
Na decisão que fundamentou a medida, o magistrado afirmou: “Tornou-se evidente que a manutenção da liberdade do acusado gera risco concreto à ordem pública, fato que justifica o seu retorno ao cárcere”. Ao autorizar a inclusão do nome de Mendes na lista da Interpol, o juiz destacou não ser “inimaginável que [o ex-CEO] reúna condições materiais suficientes para sustentar eventual fuga sua para o exterior (se é que já não o fez)”.
Acusações envolvem furto de obras de arte
O empresário responde a uma ação penal movida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que o acusa de furtar obras de arte de um hotel e de um escritório de arquitetura em um shopping de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense.
Segundo a Promotoria, os crimes ocorreram entre a madrugada e a manhã, com Mendes se passando por entregador para acessar o hotel e por eletricista para entrar no escritório. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 120 mil, incluindo quadros, uma escultura, carteiras Mont Blanc e cartões de crédito. Após os furtos, ele teria fugido em uma motocicleta sem placa e foi preso no mesmo dia, em 25 de abril, em uma cobertura na Barra da Tijuca, onde parte dos objetos foi recuperada.
Defesa teve pedidos negados pela Justiça
A defesa de João Ricardo Mendes apresentou dois pedidos de habeas corpus ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, solicitando a revogação da prisão preventiva. Ambos foram negados. A decisão mais recente foi proferida na terça-feira (13), um dia após a ordem para inclusão do nome do empresário na lista da Interpol.
Em juízo, o ex-diretor alegou problemas psiquiátricos. Em razão disso, uma das condições impostas para sua soltura em julho do ano passado foi a abertura de um incidente de insanidade mental, com a realização de perícia médica para avaliar seu quadro clínico.
