Justiça torna Ratinho réu por violência política de gênero contra Natália Bonavides
Apresentador é acusado de constranger e prejudicar o mandato da parlamentar e pode pagar R$ 1 milhão por danos morais
247 - A Justiça Eleitoral tornou o apresentador Carlos Roberto Massa, o “Ratinho”, réu por violência política de gênero contra a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) , após declarações consideradas ofensivas feitas durante um programa de rádio. A acusação aponta que as falas tiveram como objetivo constranger a parlamentar e prejudicar o exercício de seu mandato. As informações são do G1.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e aceita no dia 8 de abril pelo juiz eleitoral Tiago Ducatti Lino Machado, da 1ª Zona Eleitoral, no âmbito da Ação Penal Eleitoral nº 0600018-65.2022.6.26.0002. O magistrado destacou que a acusação detalha o episódio com precisão, incluindo data, contexto e conteúdo das declarações.
Falas em rádio motivaram denúncia
O caso remonta a 15 de dezembro de 2021, quando Ratinho comentou, em seu programa na rádio Massa FM, um projeto de lei apresentado pela deputada. No PL, a deputada federal defende que as declarações de casamento não façam referência ao gênero dos casais, para evitar constrangimentos a pessoas da comunidade LGBTQIA+ e assegurar o tratamento igualitário.
Durante a transmissão, o apresentador fez declarações consideradas ofensivas e discriminatórias. Entre as falas atribuídas a ele estão: “Natália, você não tem o que fazer, minha filha? Vá lavar roupa, costura a calça do teu marido, a cueca dele... Porque isso é uma imbecilidade querer mudar esse tipo de coisa”, além de “vem essa imbecil pra fazer esse tipo de coisa!” e “A gente tinha que eliminar esses loucos. Não dá pra pegar uma metralhadora?”. Em outro momento, também disse que a parlamentar era “feia do capeta também, nossa senhora”.
Ministério Público pede indenização de R$ 1 milhão
De acordo com o Ministério Público Eleitoral, as declarações configuram violência política de gênero, ao associar a atuação da deputada a estereótipos ligados ao papel feminino, com intenção de menosprezar sua atuação política.
Os promotores solicitam que a Justiça fixe o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais à parlamentar, com base no artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal. A reportagem informa que a assessoria de Ratinho foi procurada, mas não se manifestou sobre o caso.


