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Lula critica acordo em Goiás e questiona concessão de terras raras aos EUA

Presidente reage à venda da Serra Verde a empresa dos EUA e levanta preocupações sobre soberania, controle de terras raras e atuação do governo estadual

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e terras raras (Foto: Freepik | Ricardo Stuckert/PR )

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou um possível acordo envolvendo a exploração de terras raras em Goiás e questionou a atuação do governador Ronaldo Caiado. As declarações foram divulgadas em publicação na rede social X (antigo Twitter), que repercutiu trechos de entrevista concedida pelo chefe do Executivo federal.

“O Caiado fez um acordo com empresas americanas, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União. Se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil, e nós não podemos permitir", afirmou Lula. Em outro momento, o presidente classificou a negociação como “uma vergonha”.

As críticas ocorrem após a venda da mineradora brasileira Serra Verde para a empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR), em operação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. A transação, anunciada na segunda-feira (20), envolve uma das poucas produções relevantes de terras raras fora da Ásia, o que ampliou o debate no governo federal sobre soberania nacional e controle de recursos estratégicos.

A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, localizada em Minaçu (GO), considerada a única mina de argilas iônicas ativa no Brasil, em produção desde 2024. A empresa também se destaca por produzir terras raras pesadas de alto valor, como disprósio, térbio e ítrio — insumos fundamentais para setores como veículos elétricos, energia renovável, defesa, semicondutores e indústria aeroespacial.

Atualmente, mais de 90% da produção global desses minerais está concentrada na China, o que intensifica a disputa internacional por cadeias de suprimento alternativas. Nesse contexto, a aquisição da Serra Verde por uma empresa apoiada por capital e agências dos Estados Unidos reforça o interesse geopolítico sobre o setor.

Segundo comunicado da própria mineradora brasileira, a operação permitirá a criação de uma das maiores empresas globais do segmento. “As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e ‘downstream’ da USAR”, informou a companhia.

O acordo inclui ainda um contrato de fornecimento de 15 anos, que prevê o abastecimento integral da produção da fase inicial da mina a uma empresa de propósito específico (SPV), financiada por agências do governo dos Estados Unidos e investidores privados. O contrato estabelece preços mínimos garantidos para os minerais, o que, segundo a USAR, assegura estabilidade financeira ao projeto. “O Acordo de Fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e apoiando seu desenvolvimento com sucesso”, afirmou a empresa.

A mineradora também destacou que a união das operações resultará em uma companhia com presença em diferentes países, incluindo Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, abrangendo toda a cadeia produtiva — da mineração à fabricação de ímãs.

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